Em declaração inédita, aiatolá Ali Khamenei admite que protestos no Irã deixaram ‘milhares’ de mortos e critica EUA
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, admitiu pela primeira vez que os protestos que assolam o país resultaram em “milhares” de mortes. Em um discurso neste sábado (17), ele também criticou duramente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de “criminoso”.
“Nessa revolta, o presidente dos EUA fez declarações pessoalmente, encorajou os manifestantes a prosseguirem e disse: ‘Nós os apoiamos, nós os apoiamos militarmente’”, declarou Khamenei, que detém a palavra final em todos os assuntos de Estado. Ele reiterou que os EUA buscam dominar os recursos econômicos e políticos do Irã.
“Consideramos o presidente dos EUA um criminoso, devido às vítimas e aos danos, devido às acusações contra a nação iraniana”, afirmou Ali Khamenei. Ele descreveu os manifestantes como “soldados rasos” dos Estados Unidos, acusando-os de destruir mesquitas e centros educacionais. “Ao ferir pessoas, e matar milhares delas”, acrescentou.
A admissão de Khamenei ocorre um dia após Trump adotar um tom mais conciliatório, afirmando que “o Irã cancelou o enforcamento de mais de 800 pessoas” e acrescentando: “Respeito muito o fato de terem cancelado”. O presidente americano não esclareceu com quem conversou no Irã para confirmar o cancelamento de execuções planejadas, mas seus comentários sugerem um possível recuo em relação a uma intervenção militar.
Anteriormente, Trump havia prometido aos iranianos que “a ajuda está a caminho” e que seu governo “agiria de acordo” caso a repressão aos manifestantes continuasse. Os protestos no Irã foram desencadeados por uma grave crise econômica, que se aprofundou com a desvalorização da moeda local. Em um ano, o rial perdeu 56% do valor frente ao dólar, e o preço dos alimentos subiu, em média, 72%.
A crise econômica levou milhares de iranianos às ruas desde 28 de dezembro. O protesto começou com uma greve de comerciantes no principal mercado de Teerã e evoluiu para confrontos, com manifestantes atirando pedras contra a polícia, que respondeu com disparos.
Sobe para mais de 3.400 o número de mortos em protestos no Irã, segundo dados de uma ONG.
Com informações do G1










