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11 de março de 2026

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Leguminosas amazônicas: estudo revela origem em Rondônia e impactos na flora

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Pesquisa inédita aponta que plantas do Cerrado e Caatinga descendem de linhagem da Amazônia, com implicações para conservação.

Um estudo revolucionário revelou que as leguminosas do gênero Chamaecrista, comuns nos campos rupestres do Brasil, têm origem na Amazônia. A pesquisa, publicada na revista Journal of Biogeography, demonstra que essas plantas se dispersaram da Amazônia há cerca de 40 milhões de anos, colonizando áreas montanhosas antes da formação do Cerrado e da Caatinga.

A análise filogenética e biogeográfica, liderada pela taxonomista Juliana Rando da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), utilizou dados genéticos de 231 espécies para reconstruir a árvore genealógica do grupo. Os resultados indicam que os campos rupestres, encontrados em regiões como Minas Gerais e Bahia, não são apenas destinos para plantas de outros biomas, mas também podem ser fontes de diversidade.

“Muito antes da expansão do Cerrado, essas plantas se dispersaram da Amazônia e colonizaram as áreas montanhosas”, explica Rando. A descoberta desafia a visão tradicional de que os campos rupestres seriam apenas receptores de espécies de outros biomas, reforçando seu papel crucial na evolução da flora brasileira.

Imagem colorida mostra leguminosas olesiphyllacrommyotricha
Espécies leguminosas C. olesiphylla, endêmica dos campos rupestres de Minas Gerais, na Serra Talhada em Congonhas do Norte (à esq.), e C. crommyotricha, específica do Cerrado brasileiro. Foto: Juliana Rando/Ufob e Henrique Moreira

Embora não sejam cultivadas para alimentação, as leguminosas Chamaecrista possuem uma importante capacidade de fixar nitrogênio no solo, melhorando sua fertilidade. O estudo do grupo pode fornecer insights valiosos para o desenvolvimento de leguminosas de interesse agrícola. A pesquisa também investiga a dispersão do gênero para outros continentes, como África, Ásia e Austrália.

A ecóloga evolutiva Cibele Cássia Silva, da Universidade de Minnesota, destaca que o estudo aborda a biogeografia das plantas a partir da montagem dos ecossistemas ao longo do tempo, ressaltando a importância de políticas públicas de conservação para esses ambientes singulares.

Com informações do Portal Amazônia.

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