Caso Marta Isabelle: avô é mantido na prisão por suspeita de omissão de socorro em meio a investigação sobre a morte da adolescente
O avô paterno da adolescente Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos, continuará preso em Porto Velho. Manoel José da Silva foi detido na sexta-feira (6) sob suspeita de omissão de socorro no caso que investiga a morte da jovem.
Após audiência de custódia realizada na manhã deste sábado (7), a Justiça decidiu manter a prisão de Manoel, que foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisório (CDP) e permanecerá à disposição da Justiça durante o andamento do processo.
O caso ganhou repercussão após a descoberta do corpo de Marta Isabelle, encontrada pela polícia deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável. O laudo inicial revelou que a adolescente estava desnutrida, com ossos expostos, ferimentos infestados por larvas e marcas que indicam imobilização prolongada.
Além de Manoel, outras três pessoas foram presas preventivamente por suspeita de envolvimento na morte de Marta: Callebe José da Silva (pai), Benedita Maria da Silva (avó paterna) e Ivanice Farias de Souza (madrasta). O pai da jovem confessou à polícia que a mantinha amarrada todas as noites com fios elétricos, e a polícia estima que a adolescente estivesse presa em casa por cerca de dois meses.
Segundo a delegada Leisaloma Carvalho, Marta Isabelle foi privada de água, higiene e alimentação adequada, sendo obrigada a consumir restos de comida. O ambiente onde o corpo foi encontrado era insalubre, e a família teria tentado eliminar evidências ao atear fogo em roupas no local. O pai e a madrasta serão indiciados por feminicídio, tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. A madrasta, segundo a delegada, “praticava agressões, deixava a adolescente dormindo no chão, sem qualquer tipo de coberta, dava restos de comida que até os animais comiam, cortava o cabelo da vítima de forma bem curta e demonstrava ciúmes”.
A polícia também apurou que o pai de Marta era ciumento e a retirou da escola há quase três anos, alegando uma transferência para a Paraíba, isolando-a de qualquer convívio social. A tia de Marta, em entrevista, descreveu a jovem como uma menina amada, que sonhava em terminar os estudos e construir um futuro. “Martinha era muito amada. Sonhava em estudar, terminar os estudos e construir um futuro. Nada justifica o que fizeram com ela”, disse a tia.
A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer todas as circunstâncias da morte de Marta Isabelle.
Com informações do G1










