BC projeta crescimento fraco para 2026, de apenas 1,6%, em cenário de juros elevados e eleições
O Banco Central (BC) elevou de 2% para 2,3% sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, conforme divulgado no relatório de política monetária do quarto trimestre. Em 2024, a economia brasileira registrou uma expansão de 3,4%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para 2026, ano marcado pelas eleições presidenciais, a projeção de crescimento do PIB foi revisada para cima, de 1,5% para 1,6%. Apesar do ajuste, o crescimento projetado pelo BC, caso se confirme, será o menor desde 2020, quando houve uma retração de 3,3% devido aos impactos da pandemia de Covid-19.
A desaceleração esperada no ritmo de crescimento do PIB está atrelada à manutenção dos juros em patamares elevados, uma estratégia para conter as pressões inflacionárias. Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. A expectativa do mercado é de que o juro comece a recuar em março de 2026.
Representantes do BC argumentam que uma desaceleração da atividade econômica é necessária para trazer a inflação de volta para as metas estabelecidas. O relatório de política monetária indica que o “hiato do produto” permanece positivo, sinalizando que a economia opera acima de seu potencial sem gerar pressões inflacionárias significativas. O BC ajusta os juros para manter a inflação dentro da meta, considerando um intervalo de seis a 18 meses para que a Selic tenha impacto pleno na economia.
A manutenção da Selic em níveis altos tem gerado críticas por parte do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enquanto é defendida pelo ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, que ocupou o cargo até dezembro do ano passado (indicado por Jair Bolsonaro). A desaceleração econômica também pode gerar problemas orçamentários para o governo em 2026, devido à diminuição da arrecadação de impostos.
No projeto de lei orçamentária de 2026, o governo estimou um crescimento do PIB de 2,44%, valor próximo à projeção do Ministério da Fazenda em novembro (+2,4%). Se a expansão do PIB for menor (+1,6%), conforme o BC, a arrecadação será menor e o governo terá dificuldades para atingir a meta fiscal de superávit, podendo ser obrigado a bloquear despesas, especialmente em um ano eleitoral.
Com informações do G1









