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17 de fevereiro de 2026

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Javalis e ‘javaporcos’ preocupam produtores em Roraima

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A presença de javalis, porcos selvagens originários da Europa e Ásia, tem crescido em Roraima, gerando preocupação entre produtores rurais e autoridades. A estimativa da Agência de Defesa Agropecuária do estado (Aderr) aponta para cerca de 20 mil animais espalhados por municípios como Amajari, Cantá, Bonfim, Alto Alegre e Boa Vista.

Os javalis são considerados uma espécie invasora porque não são nativos do Brasil e causam impactos negativos no meio ambiente, na agricultura e na saúde pública. Eles se reproduzem rapidamente, competem com a fauna nativa e danificam plantações, principalmente de milho e soja, culturas importantes nas regiões de lavrado do estado.

Além dos javalis, outro problema é o surgimento dos “javaporcos” – resultado do cruzamento entre javalis e porcos domésticos. Esses animais híbridos são ainda mais resistentes e destrutivos, ampliando os prejuízos para os produtores.

De acordo com a Aderr, cerca de 15 grandes produtores rurais já pediram ajuda para lidar com a situação, e há registros em propriedades menores também. Smith Rodrigues, produtor rural de 34 anos, relata que os animais conseguem destruir plantações inteiras em uma única noite, causando um grande prejuízo.

Em uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR), representantes do Ministério da Agricultura (Mapa), Aderr, Ibama e ICMBio discutiram formas de controlar a população de javalis. A Aderr alerta que esses animais podem transmitir doenças perigosas para os humanos, como peste suína clássica, febre aftosa, leptospirose e até raiva.

A pesquisadora Virgínia Silva, da Embrapa, destacou que o javali está entre as 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo, e que o Brasil já registra ocorrências em mais de 10 mil municípios. Ela defendeu uma abordagem multidisciplinar para o controle da espécie, com envolvimento de diferentes órgãos e da sociedade.

O Ibama reconhece o javali como espécie nociva e permite o abate controlado, mediante autorização e registro. Para o biólogo Rogério Fonseca, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a falta de uma política pública consistente para lidar com espécies invasoras agrava o problema.

O controle da população de javalis é visto como essencial para proteger a economia agropecuária, a saúde pública e o meio ambiente. A ausência de um plano de manejo claro e apoio técnico aos produtores, no entanto, dificulta a solução do problema.

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