Nova obra celebra o vínculo das crianças com a natureza
Itamar Vieira Júnior, autor do aclamado Torto Arado, acredita que cada coisa tem seu tempo. E, para ele, chegou a hora de contar histórias para as crianças. Durante a 2ª edição do Festival Literário de Paracatu (Fliparacatu), na manhã desta quinta-feira (29), ele falou sobre seu primeiro livro voltado para todas as idades.
A obra, intitulada Chupim, narra a história de Julim, um menino que desenvolve uma relação com o pássaro chupim, considerado uma praga no arrozal da família. Durante o evento em Paracatu, Minas Gerais, o autor revelou que o livro surgiu para despertar as infâncias, começando pela dele próprio. Itamar participou de todas as etapas da criação, desde a escolha do papel e do tamanho do livro até as ilustrações, assinadas pela artista plástica Manuela Navas.
“O autor, a editora e a ilustradora quiseram criar um objeto-livro que fosse agradável, confortável para as crianças manusearem. Cada detalhe, desde a disposição do texto até as cores e o tipo de papel, foi cuidadosamente pensado em conjunto. Eu estava muito empolgado, porque era meu primeiro livro para o público infantil. Sei o quanto um livro é importante na formação de um cidadão. Foi nessa fase que me tornei leitor e escritor. Comecei com receio, mas terminei muito entusiasmado com o resultado, com vontade de continuar escrevendo para esse público”, contou o autor.
O livro foi lançado no dia 9 de agosto, e Itamar comemora a recepção entre os pequenos leitores. Muitas dessas crianças já conheciam o autor através de seus pais, que leram seus outros livros, como Torto Arado e Doramar ou a Odisseia. Agora, essas crianças recebem uma história escrita especialmente para elas e participam ativamente do debate. “As crianças estão muito atentas ao mundo ao seu redor. Elas contribuem para a discussão, falam sobre suas impressões e algumas até dizem que já escrevem. A leitura já faz parte do cotidiano dessas crianças”, observa Itamar.
Entre essas jovens leitoras está Maria Flor, de 11 anos, que leu o livro durante a conversa com o autor e revelou ser poetisa. “Escrevo poesia sobre o que gosto. Desde pequena, eu recitava poemas e minha mãe gravava vídeos”. Maria Flor adora ler e destacou a “leveza e liberdade” que Chupim despertou nela.
Esse tipo de reação é o que Itamar espera provocar em todos os leitores, sejam crianças ou adultos. Ele acredita que a infância é um estado que nunca acaba e prefere dizer que seu livro é uma “literatura para as infâncias” — todas aquelas que ainda conseguem se deslumbrar com o mundo, se maravilhar e se surpreender. Além disso, ele espera que a história de Julim e Chupim ensine um pouco sobre o respeito pela infância e pela forma como as crianças se conectam com a natureza, “um encontro cheio de afeto e acolhimento”.
“A criança ainda não se tornou o grande predador que o ser humano muitas vezes acaba se tornando, explorando o ambiente e levando muitas coisas ao colapso. Talvez essa história nos ajude a retornar a um momento em que tínhamos verdadeiro interesse pela vida, pela natureza, pelo ambiente. As crianças sabem cuidar das coisas melhor do que nós. Seria ótimo se não perdessem isso”, concluiu o autor.
Acompanhe a entrevista do autor no programa Na Trilha das Letras
Com informações da EBC










