Após dias de isolamento digital, iranianos relatam ruas desertas e repressão em meio a protestos com cerca de 2 mil mortos
O Irã retomou a comunicação com o exterior nesta terça-feira (13), após cortar o acesso à internet e telefones em resposta aos protestos que assolam o país. Em relatos à agência Associated Press, iranianos descrevem ruas desertas, forte policiamento e atos de vandalismo.
A repressão aos protestos já teria deixado cerca de 2.000 pessoas mortas, segundo um membro do governo iraniano à agência Reuters. A fonte, no entanto, culpou os manifestantes, que classificou como “terroristas”, pelas mortes de cidadãos e agentes de segurança.
As manifestações, iniciadas em dezembro, começaram como protestos contra a má situação econômica do Irã, mas evoluíram para pedidos pelo fim do regime dos aiatolás, no poder desde a Revolução de 1979. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou-se “horrorizado” com a repressão das forças de segurança iranianas aos protestos pacíficos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que a situação no país estava “sob controle total” após o aumento da violência. Ele também acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de motivar “terroristas” a atacar manifestantes e forças de segurança, com o objetivo de justificar uma intervenção americana. Trump, por sua vez, ameaçou intervir militarmente no Irã, afirmando: “Vamos atingi-los com muita força onde mais dói”.
O grupo de direitos humanos HRANA estima que o número de mortos chegou a 538, incluindo 490 manifestantes e 48 policiais, com mais de 10.670 pessoas presas. O governo iraniano, por sua vez, acusa os EUA e Israel de se infiltrarem nos protestos e responsabilizá-los pelas mortes. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou que as forças de segurança “escalaram o nível de confronto contra os manifestantes”.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu à população que se mantenha distante dos “terroristas e badernistas” e buscou uma via de diálogo com os manifestantes, ao mesmo tempo em que acusou os Estados Unidos e Israel de “semear caos e desordem” no país.
Com informações do G1










