Protestos no Irã expõem disputas por poder e futuro do país. Monarquia, democracia e grupos armados disputam espaço
O futuro político do Irã permanece incerto, marcado por disputas internas e uma oposição fragmentada. As manifestações que tomam o país, ao menos por enquanto, não têm um líder único nem uma direção clara, o que dificulta qualquer processo de mudança de regime.
Segundo o professor Oliver Stuenkel, essa fragmentação é um dos principais obstáculos para a oposição. “Essa divisão, essa oposição profundamente fragmentada, dificulta muito o trabalho daqueles que querem superar ou que querem mudança de regime. E vale lembrar: há tensões profundas entre grupos oposicionistas”, afirma.
Um dos grupos em disputa defende a volta da monarquia, regime que comandava o país antes da Revolução Islâmica, mas que também era autoritário e perseguia opositores. Nesse contexto, o nome de Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, ganha destaque. Stuenkel explica que Pahlavi tem se mantido ativo nos Estados Unidos e viajou recentemente para mobilizar a opinião pública internacional. No entanto, ele não reside no Irã desde a queda da monarquia e, para muitos manifestantes e setores da oposição dentro do país, não possui legitimidade.
Outro ator citado é o grupo armado MEK, que tenta se apresentar como alternativa de poder. Apesar de atuar dentro do Irã, o MEK é amplamente rejeitado por grande parte da população, em parte devido à sua aliança com Saddam Hussein durante a guerra entre Iraque e Irã.
Além disso, existem grupos separatistas, como curdos e balutis, que, segundo Stuenkel, podem se sentir incentivados a pedir mais autonomia ou até independência em um cenário de caos interno. Apesar das divergências, muitos manifestantes defendem a criação de um sistema democrático e laico, construído a partir de lideranças iranianas. Em Londres, iranianos que vivem no exterior também têm se mobilizado em atos pedindo liberdade e democracia para o país.
A onda de protestos no Irã revela a complexidade do cenário político e a ausência de um caminho claro para o futuro. A fragmentação da oposição e a existência de diferentes visões sobre o que o país deve ser tornam a transição, caso ocorra, um desafio ainda maior.
Com informações do G1










