Regime iraniano acelera execuções e julgamentos públicos em resposta aos protestos que já deixaram mais de 2.500 mortos
Na terceira semana de protestos, o Judiciário iraniano ordenou julgamentos rápidos e execuções para conter a onda de manifestações que varre o país. O Irã está entre os cinco países que mais aplicam a pena de morte no mundo, e o número de execuções tem aumentado drasticamente.
Em 2025, foram registradas 2.063 execuções – 106% a mais do que em 2024 e o maior número em 11 anos, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), com sede nos EUA. Desde 2020, a tendência é de crescimento, apesar da falta de transparência nos registros oficiais do regime dos aiatolás. A maioria das acusações está relacionada a crimes de homicídio e tráfico de drogas.
Diante dos protestos que se espalharam por todas as 31 províncias do Irã, com mais de 2.500 mortos e 18 mil prisões, Gholamhossein Mohseni-Ejei, presidente do Supremo Tribunal do Irã, anunciou que os julgamentos dos manifestantes seriam realizados em público. “Se alguém queimou outra pessoa, decapitou alguém e ateou fogo nela, então devemos agir rapidamente. Se houver um atraso de dois ou três meses, o impacto não será o mesmo. O que precisa ser feito, deve ser feito rapidamente”, alertou Mohseni-Ejei em pronunciamento pela TV.
Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso na quinta-feira passada e teve sua execução por enforcamento programada para esta quarta-feira, após um julgamento que, segundo a família, durou apenas dois dias. A HRANA informou que 11 das execuções realizadas no ano passado foram públicas. Imagens de quase uma centena de confissões exibidas pela TV estatal indicam que o regime pretende manter a determinação de enforcar os condenados em público.
A HRANA afirma que as confissões são obtidas por coação, após tortura física e psicológica, em que os manifestantes expressam remorso e vínculos com os EUA e Israel. Além do uso da força letal, o regime tem recorrido ao bloqueio de internet e telefonia em todo o país para sufocar os protestos. O ministro da Justiça, Amin Hossein Rahimi, acrescentou que qualquer iraniano que tenha saído às ruas desde o dia 8 será considerado criminoso.
A escalada da repressão demonstra o desespero do regime, que busca a todo custo conter a onda de protestos. A situação no Irã continua tensa e a comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos.
Com informações do G1










