Irã responsabiliza EUA e Israel pelas mortes em protestos recentes e rebate ameaças do ex-presidente Donald Trump
O Irã culpou os Estados Unidos e Israel pelas mortes de manifestantes durante a onda de protestos que atinge o país há semanas. Em carta enviada à ONU nesta terça-feira (13), Teerã também acusou o governo norte-americano de incitar a violência interna e ameaçar uma intervenção militar.
A carta, assinada pelo embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, foi enviada logo após o ex-presidente Donald Trump usar as redes sociais para pedir que os manifestantes iranianos continuassem protestando contra o governo do aiatolá Ali Khamenei.
“Tomem o controle das suas instituições!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto”, publicou Trump na Truth Social. “A ajuda está a caminho.” Questionado sobre o que seria essa ajuda, Trump afirmou que está analisando uma série de opções para “vencer” e citou como exemplos ações militares feitas na Venezuela e no próprio Irã.
Na carta enviada à ONU, o Irã rebateu as falas de Trump e disse que os Estados Unidos têm “fantasias” sobre uma mudança de regime no país. “Essa declaração imprudente incentiva explicitamente a instabilidade política, incita e convida à violência e ameaça a soberania, a integridade territorial e a segurança nacional da República Islâmica do Irã”, diz o documento.
A onda de protestos no Irã foi desencadeada pela morte de Mahsa Amini, uma jovem curda detida pela polícia da moralidade por supostamente violar o código de vestimenta islâmico. Os protestos rapidamente se espalharam pelo país, com manifestantes expressando raiva contra a repressão, a situação econômica e o governo do aiatolá Khamenei.
A resposta do governo iraniano aos protestos tem sido dura, com relatos de uso de força excessiva contra os manifestantes e prisões em massa. A repressão tem atraído críticas internacionais, com muitos países pedindo que o Irã respeite os direitos humanos e permita a liberdade de expressão.
A escalada das tensões entre o Irã e os Estados Unidos ocorre em um momento delicado, com o programa nuclear iraniano sendo um ponto de discórdia entre os dois países. As negociações para restabelecer o acordo nuclear, que visava limitar o programa nuclear iraniano em troca do alívio das sanções econômicas, estão paralisadas há meses.
Com informações do G1










