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21 de fevereiro de 2026

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Intolerância religiosa não é arte: quando a fé é transformada em alvo de escárnio

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*INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NÃO É ARTE: QUANDO A FÉ É TRANSFORMADA EM ALVO DE ESCÁRNIO*

 

Por José Sidney Andrade dos Santos

 

O Brasil é uma nação plural. Aqui convivem credos, culturas, tradições e visões de mundo distintas. Essa diversidade, longe de ser fraqueza, é expressão de maturidade democrática. Contudo, o que não se pode aceitar — sob o pretexto de arte, crítica social ou liberdade de expressão — é a ofensa deliberada à fé de milhões de brasileiros.

 

Nos últimos anos, temos assistido a episódios em que escolas de samba, financiadas com recursos públicos, utilizam seus desfiles para atacar símbolos cristãos, ridicularizar valores bíblicos e expor figuras sagradas de maneira desrespeitosa. O problema não é a crítica — a crítica é legítima numa sociedade democrática. O problema é o escárnio. O problema é a vilipendiação.

 

A Constituição Federal assegura a liberdade de expressão, mas também protege a liberdade religiosa. O artigo 5º, inciso VI, garante a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença. O Código Penal, em seu artigo 208, tipifica como crime “vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”. Quando manifestações culturais ultrapassam a linha da crítica e adentram o campo da ofensa deliberada, não estamos mais diante de arte — estamos diante de possível ilícito.

 

A pergunta que se impõe é: até quando a fé cristã será tratada como alvo fácil? O cristianismo é a religião professada pela maioria da população brasileira. Ainda assim, parece socialmente aceitável zombar de seus símbolos, desfigurar sua mensagem e tratar seus fiéis como caricaturas retrógradas. Se o mesmo tratamento fosse dispensado a outras tradições religiosas, haveria — com razão — indignação nacional.

 

É legítimo questionar: existe seletividade nessa ousadia? Há coragem para confrontar todos os credos ou apenas aqueles cuja postura pacífica é confundida com passividade? O cristão não é inimigo da arte, da cultura ou do carnaval. O cristão, inclusive, participa, produz cultura e contribui com impostos que financiam eventos públicos. O que não se pode exigir é que aceite, em silêncio, a profanação daquilo que considera sagrado.

 

Outra questão inevitável é a instrumentalização política dessas manifestações. Quando espetáculos patrocinados com verba pública se tornam palanque ideológico, a linha entre expressão artística e propaganda partidária se torna tênue. A cultura não pode ser capturada por agendas que transformam fé em inimigo simbólico. O Estado é laico, mas laicidade não significa hostilidade à religião. Significa neutralidade.

 

Seremos, então, lenientes? Aceitaremos que a fé cristã seja tratada como objeto descartável de militância estética? Ou exigiremos respeito, dentro dos marcos constitucionais, para aquilo que professamos?

 

O cristão não deve responder com ódio, mas com firmeza. Não com violência, mas com consciência jurídica e cidadã. O caminho não é o da censura prévia, mas o da responsabilização quando houver abuso. O caminho é o debate público, o uso dos instrumentos legais e a defesa serena da dignidade religiosa.

 

Respeito não é privilégio. É direito.

 

E numa democracia verdadeira, direitos não são negociáveis — são garantidos.

 

 

Por José Sidney Andrade dos Santos

Filosofo, Sociólogo, Escritor, Psicanalista

Pr. PIB de Candeias do Jamari – RO.

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