Covid-19: surto de variante surgida no Brasil fecha estação de esqui no Canadá e preocupa autoridades

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Covid-19: surto de variante surgida no Brasil fecha estação de esqui no Canadá e preocupa autoridades

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Covid-19: surto de variante surgida no Brasil fecha estação de esqui no Canadá e preocupa autoridades


Variantes do Reino Unido e do Brasil estão crescendo rapidamente em meio a novos surtos da doença no Canadá. Whistler Blackcomb é um dos maiores resorts de esqui do mundo
BBC
Um resort de esqui no Canadá fechou suas portas após ter confirmado um surto da variante P.1 do coronavírus, identificada pela primeira vez no Brasil.
O Canadá enfrenta um agravamento da pandemia, sobretudo das variantes do Reino Unido e do Brasil, com as autoridades falando em “terceira onda” de Covid-19.
Whistler Blackcomb, próximo de Vancouver, é um dos maiores resorts de esqui do mundo. O estabelecimento fechou suas portas no final de março por ordem do governo provincial da Colúmbia Britânica.
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Autoridades locais testaram pessoas na comunidade e rastrearam contatos. A variante P.1 se espalhou para outras partes da província a partir do resort, segundo uma das principais autoridades de saúde da Colúmbia Britânica, Bonnie Henry.
O resort já havia sido um foco de contágio e disseminação de Covid em janeiro — pois ele atrai muitos turistas de diversas partes do Canadá — mas desta vez a novidade é a variante.
“O que estamos descobrindo é que há pequenas cadeias de transmissão em várias áreas. Portanto, é uma disseminação comunitária”, disse ela, segundo o jornal Wall Street Journal.
O prefeito da cidade de Whistler, Jack Compton, disse que a população da cidade ficou “arrasada” com a notícia do fechamento. Outros estabelecimentos comerciais na Colúmbia Britânica também ficarão fechados até o dia 19.
“Somos uma cidade turística”, disse Compton ao site canadense Global News. “Existimos para poder receber aqui pessoas de toda a Colúmbia Britânica e de todo o mundo.”
O secretário de Saúde da província, Adrian Dix, acredita que a Colúmbia Britânica está registrando mais casos da variante do coronavírus por estar realizando mais testes que identificam variantes, em comparação com as demais províncias, segundo o Wall Street Journal.
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A Colúmbia Britânica tem 9,574 casos ativos de Covid-19, segundo dados divulgados na sexta-feira (9) pelo governo provincial.
Destes, 4,111 são atribuídos a três variantes. A mais preocupante é a B.1.1.7, surgida no Reino Unido, que reponde por 74% dos casos.
Foram identificados 974 casos (23%) de Covid-19 com a variante P.1. Os demais casos (55, ou 1,3%) são da variante surgida na África do Sul.
Dix disse ao jornal local Times Colonist que o governo está preocupado com a rápida propagação das variantes na província. Em apenas quatro dias no começo deste mês, o número de casos com a variante P.1 dobrou.
O crescimento do coronavírus virou notícia também nas páginas esportivas. O time de hóquei Vancouver Canucks foi forçado a adiar os próximos jogos depois que um surto atingiu 25 jogadores da equipe.
Vacinação lenta
Derek Thompson recebeu dose da vacina da Pfizer no The Michener Institute, em Toronto, Ontário, Canadá
Carlos Osorio/Pool/AFP
A taxa de infecções por Covid no Canadá está chegando perto — e pode ultrapassar — os níveis dos EUA pela primeira vez nesta pandemia.
Ele surge em um momento em que o Canadá luta para conter essas variantes do Covid-19 e para aumentar sua distribuição de vacinas. Muitas províncias estão decretando novas restrições e lockdowns depois de um recente aumento nas internações hospitalares.
Um dos motivos é o baixo índice de vacinação no país.
Até a semana passada, os EUA haviam vacinado totalmente 19,6% de sua população, em comparação com 8,5% no Reino Unido e 2% no Canadá.
“Em todo o mundo, os países estão enfrentando uma terceira onda muito séria desta pandemia”, alertou o primeiro-ministro Justin Trudeau. “E agora, o Canadá também.”
O Canadá registrou mais de um milhão de casos positivos e 23 mil mortes por Covid-19, de acordo com a Universidade Johns Hopkins. Os EUA registraram quase 31 milhões de casos e mais de 559 mil mortes de Covid.
Os dados da Universidade Johns Hopkins mostram que a taxa de Covid do Canadá em relação à população aumentou para 180 casos por milhão de pessoas na terça-feira. Isso significa que há cerca de 180 novos casos de vírus, por milhão de residentes, a cada dia.
Os EUA agora estão registrando cerca de 196 casos Covid por milhão de pessoas — bem menos do que os mais de 700 casos por milhão registrados em janeiro.
“Temos estado um tanto cegos quanto ao nosso desempenho global internacional porque estamos do lado dos EUA e do desastre que claramente foi a experiência deles durante esta pandemia”, disse o presidente da associação hospitalar de Ontario, Anthony Dale, ao jornal National Post.
“Eles claramente experimentaram resultados muito piores em geral do que o Canadá, não se engane. No entanto, é o futuro que me preocupa e estamos indo em uma direção preocupante em comparação com eles quando se trata de contágio comunitário.”
As variantes respondem por 16 mil casos.
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Mais de 90% desses casos envolvem a variante identificada pela primeira vez no Reino Unido, que agora parece ter ultrapassado a cepa original do vírus em algumas áreas.
Os casos da variante identificada pela primeira vez no Brasil dobraram na semana passada e houve quase 300 casos da variante da África do Sul descobertos em províncias de todo o país.
Os dados mais recentes aparecem no momento em que províncias de todo o país decretam novas restrições com o objetivo de conter o aumento mais recente.
Ontário, a província mais populosa com 14 milhões de residentes, está instituindo um lockdown de quatro semanas, fechando todas as lojas não essenciais e todas as escolas de Toronto.
Quebec fechou a maioria das lojas em 1º de abril em suas três maiores cidades.
O Canadá garantiu doses suficientes para dar a cada cidadão 10 vacinas. Mas o processo de vacinação tem sido muito lento.
A rápida disseminação das novas variantes parece ter pego os funcionários da saúde de surpresa, disse Andrew Morris, professor de medicina da Universidade de Toronto, à BBC News.
“Não seremos capazes de vacinar para acabar com a pandemia aqui”, disse. Por isso, segundo ele, será necessário adotar mais lockdowns.
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