Após 25 anos de negociações, UE e Mercosul chegam a acordo histórico. Veja os principais momentos e o que muda com o pacto!
União Europeia aprova acordo histórico com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura formal do tratado, prevista para 17 de janeiro. Para entrar em vigor, o pacto ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos europeu e dos países sul-americanos.
O acordo é fruto de mais de 25 anos de negociações, marcadas por mudanças políticas e econômicas em ambos os lados do Atlântico. Para relembrar a trajetória desse processo, o g1 preparou um infográfico que resume a linha do tempo das negociações.
Tudo começou em 1991, com a assinatura do Tratado de Assunção, que criou o Mercosul. A União Europeia logo identificou o bloco como um parceiro estratégico importante na região. Em 1994, a ideia de um acordo formal ganhou força, em um contexto internacional marcado pela proposta da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), liderada pelos Estados Unidos. A UE buscava fortalecer sua presença na América do Sul e equilibrar a influência americana.
Em 1995, foi assinado o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional, estabelecendo as bases políticas, institucionais e econômicas para futuras negociações. As tratativas comerciais propriamente ditas começaram em 1999, com foco em diálogo político, cooperação e livre comércio. Desde o início, surgiram impasses, principalmente em relação aos subsídios agrícolas europeus e à abertura do setor industrial do Mercosul. Em 2004, as negociações entraram em crise, com o Mercosul criticando o acesso limitado ao mercado agrícola europeu e a UE apontando a resistência sul-americana à abertura industrial.
Entre 2004 e 2010, o processo ficou praticamente paralisado devido a divergências internas e mudanças no cenário político da América do Sul. Em 2016, o diálogo foi retomado com mais intensidade, impulsionado pelo interesse europeu em acordos comerciais e pelas transformações no comércio global. Em 2019, Mercosul e União Europeia anunciaram a conclusão técnica do acordo, que previa a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral. No entanto, críticas ambientais e resistências políticas impediram a ratificação imediata.
Entre 2020 e 2022, a UE exigiu compromissos ambientais mais rigorosos, relacionados ao combate ao desmatamento e ao Acordo de Paris. Em 2023, foi apresentado um instrumento ambiental adicional, aceito parcialmente pelo Mercosul, que criticou a possibilidade de sanções unilaterais. O texto final foi consolidado em 2024, após revisão jurídica e articulação política. Em 2025, a aprovação enfrentou resistência de países europeus com forte setor agrícola, como França, Polônia e Irlanda. Finalmente, em 2026, a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo, abrindo caminho para a criação da maior área de livre comércio do mundo.
Veja os detalhes do acordo aprovado nesta sexta-feira e os grandes números do pacto. Descubra também quais países estão envolvidos e quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul.
Com informações do G1










