Na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, a comunidade Sikamabiu encontrou uma solução inovadora para garantir a segurança alimentar: a água utilizada na criação de peixes em tanques é agora reaproveitada para irrigar plantações de mandioca, batata e arroz. O sistema, conhecido como fertirrigação, dispensa o uso de fertilizantes químicos e fortalece a autonomia dos indígenas.
A iniciativa, parte de um projeto do governo federal, une piscicultura, irrigação e criação de galinhas como alternativa à pesca no Rio Mucajaí, contaminado pelo mercúrio do garimpo ilegal. A comunidade, composta por cerca de 400 pessoas, principalmente do povo Xiriana, já capacitou 34 indígenas para atuar em todas as etapas do projeto.

“Muita gente não acreditou. Diziam que não ia dar certo. Hoje vemos o peixe e as plantas crescerem. É muito bom”, celebra Gerson da Silva Xirixana, presidente da associação Texoli. A água dos tanques passa por testes rigorosos antes de ser utilizada nas plantações, garantindo a qualidade e segurança dos alimentos.
O projeto responde à urgência de substituir a pesca, comprometida pela contaminação do rio. Rosemary Veilaça, pesquisadora da Embrapa Roraima, explica: “Esses tanques são uma resposta direta à falta de peixes no rio. O mercúrio desce com a água, e quem está rio abaixo sofre mais. Hoje, o peixe do rio não é confiável”. A unidade em Sikamabiu abriga mais de 8 mil alevinos de tambaqui em 10 tanques e dois açudes.
Para as lideranças indígenas, o sistema integrado é crucial para a permanência no território. “O garimpo não foi aqui, mas o efeito veio pelo rio. Os peixes quase morreram todos. Por isso pedimos esses tanques. O peixe do rio já não dava mais segurança”, relata o tuxaua Carlos Nailson Xirixana. “Esses peixes dos tanques não são para vender. É para alimentar o nosso povo. A gente quer produzir para a comunidade”.

A construção dos tanques utilizou geomembrana, um material leve e adequado à logística da região. O Instituto Federal de Roraima (IFRR) foi responsável pela capacitação dos indígenas, visando garantir a autonomia completa da comunidade. Luísa Xirixana, liderança feminina, ressalta que a formação técnica garante a continuidade do projeto: “O que a gente pediu foi aprender a cuidar da terra e do peixe, para ensinar nossos filhos e netos”.

Com informações do Portal Amazônia.











