Deixar de fumar é um marco significativo na vida de muitas pessoas, mas o caminho para retomar uma rotina ativa e saudável pode apresentar desafios, especialmente no retorno às atividades físicas. A professora Tamiris Dellangelo, coordenadora do curso de Fisioterapia da UNIASSELVI, explica como a fisioterapia pode ser uma poderosa aliada na recuperação da função pulmonar, melhora do condicionamento físico e retorno a uma vida plena de qualidade.
Sintomas que devem levar à busca por fisioterapia
“Ao parar de fumar, é comum que algumas pessoas sintam dificuldade para retomar atividades físicas. Isso acontece porque o tabagismo provoca alterações no sistema respiratório, cardiovascular e até musculoesquelético, que podem persistir mesmo após a interrupção do hábito”, explica a docente.
A professora alerta ainda que, após parar de fumar, sintomas como falta de ar durante atividades leves, tosse persistente, cansaço excessivo e desconforto no peito podem surgir e merecem atenção. Estes sinais estão associados a efeitos de longo prazo do tabagismo, incluindo doenças como bronquite crônica, enfisema e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), além de redução da capacidade cardiorrespiratória e fraqueza muscular.
Fisioterapia para ex-fumantes
De acordo com Tamiris, a fisioterapia é indicada principalmente para aqueles que enfrentam dificuldades respiratórias, cansaço constante ou apresentam histórico de doenças pulmonares e cardíacas. “A fisioterapia atua com programas especializados, como reabilitação pulmonar e exercícios de fortalecimento dos músculos periféricos e respiratórios, garantindo segurança no retorno às atividades e prevenindo complicações,” destaca.
Técnicas utilizadas na recuperação
Queixa comum entre pessoas que pararam de fumar é a falta de condicionamento físico. Nesse contexto, a fisioterapia é utilizada na recuperação da função pulmonar, contribuindo para uma melhora do quadro. Entre as principais técnicas estão:
- Exercícios respiratórios para expandir os pulmões e melhorar a oxigenação;
- Reabilitação pulmonar, que alia atividades físicas supervisionadas a orientações específicas;
- Treinamento muscular inspiratório e expiratório, utilizando equipamentos para fortalecer a musculatura respiratória;
- Higiene brônquica, para pacientes com acúmulo de secreções;
- Programas de condicionamento físico que incluem exercícios de resistência e fortalecimento.
Segundo a docente da UNIASSELVI, essas técnicas podem ajudar muito quem parou de fumar. “Essas intervenções permitem que os ex-fumantes recuperem progressivamente o fôlego e a resistência física, promovendo bem-estar e autonomia”, enfatiza.
Diferença entre ex-fumantes de cigarro tradicional e eletrônico
Tamiris Dellangelo também explica que a abordagem fisioterapêutica pode variar de acordo com o tipo de tabaco utilizado. O cigarro convencional está associado a doenças crônicas como enfisema, enquanto os dispositivos eletrônicos podem causar inflamações pulmonares mais agudas, como a EVALI (lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos). “Embora o objetivo seja o mesmo – recuperação respiratória e física -, as estratégias são adaptadas à condição de cada paciente,” ressalta.
Benefícios além da melhora respiratória
Para a professora, a fisioterapia se apresenta como uma ferramenta poderosa para quem busca não só superar os efeitos do tabagismo, mas também construir uma nova rotina pautada no bem-estar e no movimento. Por isso, destaca outros benefícios, além do auxílio na função pulmonar, como aumento a resistência física e a disposição, prevenção de dores musculoesqueléticas por meio de orientações de postura, redução do risco cardiovascular e controle da ansiedade e do estresse, comuns durante o processo de cessação do tabagismo; e promoção de hábitos de vida mais saudáveis.










