Em 1917, Porto Velho fervilhava com a chegada do samba, recém-nascido no Rio de Janeiro com o primeiro registro da música “Pelo Telefone”. A vila às margens do Rio Madeira abrigava uma população diversa, com quase metade dos seus 1.800 habitantes sendo imigrantes, especialmente portugueses, que exerciam forte influência na vida social da cidade.
Foi nesse caldeirão cultural, onde europeus, bolivianos, indígenas e caboclos se encontravam, que o Carnaval de rua ganhou contornos oficiais em 1918. Apesar das dificuldades financeiras impostas pela Primeira Guerra Mundial, a comunidade se uniu para celebrar o Deus Momo, como registrado pelo jornal Alto Madeira.
Nomes como João Soares Braga, poeta e tesoureiro municipal, e os irmãos Amaro e Benjamin Rosa foram cruciais para essa transformação cultural. Os portugueses, já estabelecidos e influentes, trouxeram não apenas o Vinho do Porto, mas também o desejo de replicar o esplendor das festas europeias. A celebração do Dia de Santo Amaro, com seus rituais de renovação e a distribuição de vinho e chope, era um prenúncio do que viria.
Benjamin Rosa, vereador e proprietário do Café e Casa Phoenix – um espaço cultural vibrante que combinava café, piano-bar, teatro e cinema – foi o principal articulador da chegada do Carnaval a Porto Velho. Ele viajou ao Rio de Janeiro em busca de inspiração e elementos decorativos, dando origem ao primeiro grande desfile carnavalesco da cidade em 1918, marcando para sempre sua vocação festiva.

O desfile de 1918, com o patrocínio do prefeito Joaquim Tanajura e do gerente da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Knox-Little, contou com 15 carros alegóricos criados por artistas como Mendo Luna e José Borges. Personagens como “El Rei Carnaval” e o “Zé Pereira”, símbolo do boêmio português, lideraram o cortejo ao som da orquestra da Casa Sarah, enquanto a multidão entoava maxixes e a marchinha “Ó Abre Alas”.
Além dos desfiles, a festa também era um espaço para o comércio, com “carros-reclame” exibindo as últimas tendências da moda europeia. A diversidade se manifestava em blocos de japoneses e baianas, mostrando que o Carnaval de Porto Velho, desde o seu nascimento, já era uma celebração multicultural, unindo tradições e energias de diferentes comunidades. O trabalho do fotógrafo colombiano Adan Parra documentou a festa, mas suas imagens originais se perderam com o tempo.
Com informações do Portal Amazônia.











