O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou em 12 de dezembro, em Brasília, a publicação “O Brasil Indígena”, que apresenta os principais resultados do Censo Demográfico 2022 relacionados à população indígena no país. A obra reúne informações inéditas sobre características sociodemográficas, domiciliares, etnias, línguas e distribuição espacial da população indígena brasileira.

Para a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a publicação representa uma base técnica crucial para o planejamento, a execução e a avaliação de políticas públicas direcionadas a essa população. A presidenta substituta da Funai, Mislene Metchacuna, destacou a importância dos dados para um melhor entendimento da realidade indígena e para a reestruturação e elaboração de políticas mais eficazes.
“Com a ajuda dos nossos técnicos e tradutores, o IBGE conseguiu adentrar nas comunidades, qualificando a coleta. Esses dados possibilitaram um retrato ainda mais próximo da nossa realidade, inclusive com informações que nem sabíamos e que ajudarão na reestruturação e elaboração de políticas públicas”, afirmou Metchacuna.
A publicação é resultado de uma parceria entre o IBGE, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a Funai e o Fundo de População das Nações Unidas no Brasil (UNFPA). De acordo com o diretor de Pesquisas do IBGE, Gustavo Junger, essa colaboração interinstitucional foi fundamental para ampliar a coleta de dados em relação ao Censo de 2010.

“Tínhamos o desafio de ampliar a coleta para povos e comunidades tradicionais, iniciada no Censo de 2010, e isso só ocorreu graças às parcerias que estão aqui. Nosso objetivo é continuar esse trabalho e, por isso, foi criada uma nova gerência para esse tipo de atividade”, explicou Junger, referindo-se à Gerência para Bases Territoriais, criada na Diretoria de Geociências (DGC).
Júnia Quiroga, representante auxiliar do UNFPA, ressaltou a importância da união dos órgãos envolvidos para dar visibilidade e reconhecimento aos povos indígenas no Brasil. “São parceiros que lutam pela visibilidade e reconhecimento dos povos indígenas no Brasil. Aqui ampliamos as vozes que historicamente foram silenciadas. O material apresentado hoje traz, de forma didática, informações para se transformar em políticas públicas”, pontuou.
A secretária nacional de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas do MPI, Giovana Mandulão, classificou o lançamento como histórico. “Os dados não são apenas números, mas a materialização de uma luta histórica, a retomada da nossa existência em um país que por séculos tentou nos apagar”, enfatizou. Para ela, o IBGE aperfeiçoou sua capacidade na coleta dos dados, revelando uma complexidade que antes era ignorada. “Os dados são o início da construção de políticas públicas”, afirmou.
A publicação “O Brasil Indígena” pode ser acessada neste link.
Com informações do Portal Amazônia.











