Apesar da queda no desmatamento da Amazônia nos últimos três anos, manter a trajetória para alcançar o desmatamento zero em 2030 exige direcionar as ações de proteção para as áreas mais ameaçadas. A inteligência artificial surge como uma aliada nesse desafio, e a plataforma PrevisIA tem se destacado na previsão de áreas de risco.
Nos últimos cinco anos, a PrevisIA tem indicado com precisão média de 68% (chegando a até 4km de distância) os territórios com maior probabilidade de desmatamento. Para 2026, a ferramenta aponta que 5.501 km² da Amazônia estão sob risco. O objetivo é auxiliar na prevenção, evitando que a derrubada estimada se concretize.

“A assertividade da PrevisIA aumentou com a redução do desmatamento, o que é um resultado positivo para o Brasil, sede da COP30. Se tivermos acesso aos dados das operações de combate ao desmatamento em 2025, poderemos calcular a área de floresta efetivamente salva, comprovando a eficácia das intervenções”, afirma Carlos Souza Jr., coordenador do programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, criador da ferramenta.
A PrevisIA classifica as áreas de risco em cinco categorias: muito alto, alto, moderado, baixo e muito baixo. Para 2026, 1.686 km² estão em risco muito alto ou alto (31% do total), 1.056 km² em risco moderado (20%) e 2.759 km² em risco baixo ou muito baixo (50%). Evitar o desmatamento nessas áreas pode abrir caminho para mecanismos de financiamento para a conservação da Amazônia.
A ferramenta considera o “calendário do desmatamento” (agosto a julho do ano seguinte), assim como os dados oficiais do Inpe. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, foram devastados 5.112 km², uma queda de 18% em relação ao período anterior. A PrevisIA também monitora a expansão de estradas, que frequentemente abrem caminho para novas áreas de desmatamento, com 95% da derrubada ocorrendo a até 5,5 km de uma estrada.

Os estados de Pará (36%), Amazonas (18%) e Mato Grosso (18%) concentram 72% do risco de desmatamento, totalizando 4.049 km². Dez terras indígenas concentram 44% do risco, com a Terra Indígena Kayapó (PA) liderando o ranking com 31 km². Unidades de Conservação Estaduais também apresentam alto risco, com 339 km² (57% do total) em áreas estaduais.

Com informações do Portal Amazônia.












