Quem viu ao vivo não esquece. E quem viu depois também não.
Em 24 de março de 1991, exatos 35 anos atrás, Ayrton Senna vencia pela primeira vez o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, em um Autódromo de Interlagos lotado que esperava a primeira vitória do então bicampeão.
A chance existiu em anos anteriores, mas sempre havia escapado por entre os dedos. Em 1986, ainda pela Lotus, Senna foi o segundo colocado da prova no Autódromo de Jacarepaguá. Em 1990, já pela McLaren, largou da pole position, mas se enroscou com a Tyrrell de Satoru Nakajima e precisou fazer um pit stop a mais para consertar uma asa dianteira danificada, terminando em terceiro lugar.
Até que veio 1991.
Naquele domingo, Ayrton Senna largou novamente da pole position e logo deixou para trás as Williams de Riccardo Patrese e Nigel Mansell. A 12 voltas para o fim, o britânico rodou e abandonou. No entanto, o brasileiro logo viu sua vantagem ameaçada por problemas de câmbio da McLaren.
Uma a uma, as marchas do carro de Senna foram falhando. A sete voltas para o fim, apenas a sexta marcha funcionava. A solução era manter o giro alto do motor Honda mesmo em curvas de baixa, o que exigia um grande esforço físico do piloto para controlar o carro na pista. Aos poucos, a vantagem para Patrese foi diminuindo.
Mas a sorte mudou no fim: uma chuva nas voltas finais molhou o traçado e obrigou o italiano a se adaptar. Melhor para Senna, que conseguiu sustentar a liderança e cruzar a linha de chegada com 2.9s de vantagem para Patrese. Gerhard Berger, também da McLaren, completou o pódio na terceira colocação.
Ao vencer a prova, Ayrton Senna gritava e vibrava no rádio. Mas ao parar o carro, não tinha forças para sair. Sofria espasmos musculares e precisou de ajuda para se levantar. No topo do pódio, com os braços fracos, não conseguiu levantar o troféu na primeira tentativa.
“Eu achei que não iria ganhar nas duas voltas finais, com o problema no câmbio nas últimas sete voltas. Eu falei: ‘Se der, vai ser no grito’. Aí eu pensei comigo: ‘Eu lutei tanto esses anos para chegar nisso e hoje lutei tanto. Eu falei: ‘Vai ter que dar, vai ter que dar’”, descreveu na época.
Celebração em 2026
O feito histórico ainda hoje é lembrado como um dos principais da carreira de Ayrton Senna na Fórmula 1. Por isso, a efeméride será celebrada em 1º de maio, na edição 2026 da Ayrton Senna Racing Day, corrida de rua que ocorre anualmente em Interlagos e que deve reunir cerca de 11 mil pessoas na próxima edição.
“Essa vitória traduz quem o Ayrton sempre foi: alguém que nunca desistia, mesmo diante das condições mais adversas”, destacou Ana Simões, diretora de marketing da Senna Brands, empresa criada pela família do tricampeão mundial de F1 para gerir os ativos ligados a ele.
“É exatamente essa essência que buscamos preservar e levar adiante todos os dias por meio das marcas Senna e Senninha, transformando esse legado em inspiração cotidiana para que as pessoas superem seus próprios limites”, acrescentou ela.
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Fonte: Band F1









