Tesouro Nacional age para conter alta de juros após escalada da tensão no Oriente Médio, recomprando quase R$ 50 bilhões em títulos
A Secretaria do Tesouro Nacional recomprou R$ 49 bilhões em títulos públicos nesta semana, em resposta aos impactos da guerra no Oriente Médio. Essa é a maior operação de recompra já realizada pela instituição.
O Tesouro informou que a medida visa “oferecer suporte ao mercado de títulos públicos, assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos”. A taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, tem efeito de curto prazo, enquanto a curva de juros futura é influenciada pelas ações do Tesouro e pelas condições de mercado (oferta e demanda).
A eclosão da guerra no Oriente Médio pressionou a curva de juros para cima. Ao recomprar títulos, o Tesouro aumenta a demanda, elevando o preço e reduzindo a taxa de juros. Como esses títulos têm prazos longos, seus juros servem de base para as expectativas do mercado sobre os próximos anos. A ação injeta “liquidez” no mercado financeiro, liberando recursos para os bancos e contendo uma alta desordenada dos juros – que influenciam as taxas de empréstimos para empresas e pessoas físicas.
O conflito também impacta o mercado internacional de energia, com o preço do petróleo acima de US$ 100 por barril (antes era US$ 72). Essa alta já impulsiona os preços dos combustíveis no Brasil, especialmente o diesel, embora a Petrobras ainda não tenha reajustado a gasolina. A expectativa para a inflação em 2026 subiu na semana passada. Analistas temem a falta de abastecimento de diesel, além do impacto no dólar e na inflação, o que pode levar a um corte menor dos juros básicos da economia.
O Banco Central (BC) avaliou que o cenário global “segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais”, ou seja, alta do petróleo, pressão sobre o dólar, juros futuros e impacto na bolsa de valores. “As incertezas associadas ao reposicionamento das políticas econômicas, aos eventos geopolíticos e aos seus impactos sobre os ritmos de crescimento da atividade e da inflação se intensificaram. Somam-se a essas incertezas, aquelas relacionadas aos níveis de equilíbrio das taxas de juros no longo prazo, à sustentabilidade fiscal de economias centrais e à valorização dos ativos de risco”, avaliou o BC.
Com informações do G1









