Irã enfrenta protestos generalizados contra o governo Khamenei, com mais de 60 mortos e repressão às manifestações
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado (10) que a preservação da segurança no país é um ponto crítico e inegociável, em meio à intensificação dos esforços do regime para conter os maiores protestos em anos.
Os atos generalizados, os maiores desde 2009, contra o aiatolá Ali Khamenei têm tomado o país há duas semanas, resultando em mais de 60 mortes e na prisão de 2.500 pessoas, segundo organizações de direitos humanos. O Exército também jurou proteger a infraestrutura estratégica e o patrimônio público.
Em nota, os militares acusaram Israel e “grupos terroristas hostis” de tentar “minar a segurança pública do país”. As declarações ocorrem após o presidente dos EUA, Donald Trump, alertar os líderes iranianos sobre a possibilidade de intervenção americana caso o número de mortes aumente. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou: “Os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã”.
A agitação continua, com relatos de um prédio municipal incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, atribuído por mídia estatal a “manifestantes violentos”. A TV estatal exibiu imagens de funerais de integrantes das forças de segurança mortos em protestos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.
A Guarda Revolucionária acusou terroristas de atacar bases militares e policiais, matando civis e agentes de segurança, além de incendiar propriedades. Segundo a Guarda, proteger as conquistas da Revolução Islâmica de 1979 e manter a segurança é uma “linha vermelha”, e a continuidade da situação atual é inaceitável. As Forças Armadas iranianas, separadas da Guarda Revolucionária, mas ambas sob o comando de Khamenei, também se comprometeram a proteger os interesses nacionais.
As autoridades mantêm o bloqueio da internet, determinado por Khamenei para conter os manifestantes. Uma testemunha no oeste do Irã, que pediu anonimato à Reuters, relatou que a Guarda foi mobilizada e abriu fogo na região. Os protestos, que começaram em reação à inflação, ganharam caráter político, com pedidos pela saída dos líderes clericais.
Líderes de França, Reino Unido e Alemanha divulgaram uma declaração conjunta condenando a morte de manifestantes e pedindo que as autoridades iranianas evitem a violência. Os protestos representam o maior desafio interno ao regime clerical iraniano em pelo menos três anos, em meio a uma grave situação econômica.
Com informações do G1










