A primeira-ministra da Dinamarca alertou que um ataque dos EUA a um aliado da Otan significaria o fim da aliança militar
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, advertiu nesta segunda-feira (5) que um ataque dos Estados Unidos a um aliado da Otan resultaria no colapso da aliança. A declaração veio em resposta às insistentes ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, que manifestou o desejo de anexar a Groenlândia aos EUA.
A intervenção militar de Washington na Venezuela reacendeu os temores em relação à Groenlândia, um território autônomo dinamarquês rico em recursos minerais ainda inexplorados. Trump, desde o início de seu segundo mandato, tem demonstrado interesse crescente pela ilha, localizada em uma região de importância geoestratégica crescente.
Apesar dos apelos das autoridades groenlandesas e de Copenhague para que Washington respeite a integridade territorial da ilha, Trump insistiu na anexação. “Precisamos da Groenlândia para garantir a segurança nacional e a Dinamarca não é capaz de fazer isso”, afirmou o presidente a bordo do avião presidencial Air Force One. Ele acrescentou que discutiria o assunto “daqui a uns dois meses” ou “em 20 dias”.
Frederiksen reagiu com irritação, declarando: “Se os Estados Unidos decidirem atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para. Inclusive a nossa Otan e a segurança implementada desde o fim da Segunda Guerra Mundial”. Seu homólogo groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, também se manifestou, afirmando: “Já chega! Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação”.
A deputada Aaja Chemnitz, que representa a Groenlândia no Parlamento dinamarquês, alertou para a necessidade de “estar preparado para todos os cenários”, mencionando a disseminação de “mentiras” por Trump sobre a presença de embarcações russas e chinesas na região. O Ministério das Relações Exteriores chinês pediu aos EUA que “parem de usar a chamada ameaça chinesa como desculpa para buscar benefícios pessoais”.
Líderes europeus manifestaram apoio à Dinamarca e à Groenlândia, com a UE esperando que seus aliados respeitem a integridade territorial dos Estados-membros. A escalada das tensões começou no fim de dezembro, quando Trump anunciou a nomeação de um enviado especial para a Groenlândia, e foi reacendida por uma publicação nas redes sociais da esposa de um assessor da Casa Branca, mostrando um mapa da Groenlândia com as cores da bandeira americana e a palavra “SOON”. Pesquisas indicam que 85% dos groenlandeses são contrários à anexação pelos EUA.
Com informações do G1








