Praga que ameaça a citricultura brasileira recebe R$ 90 milhões em investimentos para pesquisa e combate
O combate ao greening, a doença mais devastadora para as plantações de laranja no Brasil e no mundo, ganhou um importante reforço com a criação do Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citros). A iniciativa é resultado de uma parceria público-privada que envolve universidades de sete países, fundações, órgãos do setor e o governo do estado de São Paulo.
Um convênio formalizado nesta segunda-feira (12) na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), em Piracicaba (SP), prevê o investimento de R$ 90 milhões ao longo de cinco anos em pesquisa, transferência de tecnologia e educação. O objetivo é desenvolver estratégias eficazes para conter a propagação do greening e minimizar seus impactos na produção de laranja.
O greening é causado por uma bactéria que afeta as folhas, causando um amarelamento, e as flores, que secam e murcham. Segundo levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a região de Limeira (SP) é a mais afetada pela doença no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, com incidência de 79,38% em 2024, um aumento em relação aos 73,87% de 2023. O prejuízo nos pomares e as altas temperaturas têm contribuído para o aumento dos preços da fruta e do suco.
O produtor Lucas Eduardo Boschiero relata os desafios enfrentados em sua fazenda: “Hoje a gente está na região aqui, plantadas mais ou menos 100 mil plantas. Na faixa mais ou menos de 80% [tiveram] infestação pelo greening. Tivemos que percorrer outros estados, como Bahia, Minas, Sergipe e Goiás, para a gente fazer o suco e vender a laranja in natura”. Ele também destaca o aumento dos preços: “O que era vendido a R$ 0,80 por quilo custa, agora, R$ 2”.
O comerciante Elias Staiguer, que antes tinha uma plantação de laranjas destruída pelo greening, agora compra a fruta de outros produtores e fabrica seu próprio suco. “A laranja vem de mais longe, ela está mais cara e tem o frete ainda para impactar mais no valor”, explica. O convênio interliga 19 instituições e 76 departamentos científicos de sete países: Brasil, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Austrália.
A cerimônia de assinatura contou com a participação de representantes da universidade, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Fundecitrus, de produtores e demais órgãos do setor.
Com informações do G1










