Criminosos usam PIX para aplicar golpes; bancos e especialistas fazem alertas

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Criminosos usam PIX para aplicar golpes; bancos e especialistas fazem alertas

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Desde as primeiras notícias sobre o Pix, temos visto vários avisos, notícias e vídeos advertindo sobre possibilidades de golpes. Alguns chegavam a mostrar como um “hacker” pode descobrir os seus dados bancários através das suas chaves e arquitetar estratégias para roubar o seu dinheiro.

Mas nem sempre é necessário muito conhecimento para explorar possíveis falhas da tecnologia e aplicar um golpe.

Nesta semana, o Nubank alertou sobre o “bug do PIX”. Nesse caso, os golpistas publicam fotos e vídeos nas redes sociais mostrando uma suposta falha no Banco Central que devolveria em dobro do valor de transações aos emissores.

Nesse golpe, os criminosos dizem que é preciso fazer transferências para chaves específicas. Assim, acreditando no erro do PIX, vítimas fazem uma transferência de R$ 100, por exemplo, na expectativa que R$ 200 retornem a sua conta, quando, na verdade, estão sendo vítimas de uma ação criminosa.

Reparem que não existiu o tal “hacker” e nem estratégias sofisticadas para conseguir acessar os dados das pessoas, contas, bancos, nada diso. A estratégia do golpe é puramente “analógica” onde alguém do outro lado (que a pessoa não conhece) diz para enviar dinheiro para uma conta (que a pessoa não sabe de quem é), na promessa de aparecer o valor em dobro na própria conta (o que é óbvio que não acontece).

As pessoas devem SEMPRE desconfiar de promessas de dinheiro fácil, devem pensar com calma, questionar coisas como por exemplo, “se essa pessoa sabe como ganhar dinheiro tão fácil, porque ela não está ganhando o dinheiro dela em vez de estar perdendo tempo me ensinando a ganhar o dinheiro?”

No caso de golpes como do Whatsapp, se receber mensagem de algum conhecido pedindo dinheiro, ligue para a pessoa e converse com ela, confirme o pedido.

Se um banco, uma loja, alguma instituição ligar pedindo informações, dados pessoais ou oferecendo prêmios, desconfie. Procure saber quem está falando, de onde, quais dados eles possuem sobre você. Não forneça nenhuma informação antes de ter certeza.

Caí nesse golpe do Pix, e agora?

O professor de Direito Digital da Universidade Mackenzie, Marcelo Chiavassa, diz que a primeira coisa a fazer é um boletim de ocorrência na polícia, fornecendo uma descrição detalhada do ocorrido, informando nomes, números de celular, contatos do whatsapp e o que mais lembrar.

Segundo ele, se a investigação achar os culpados, já é um bom começo, mas em caso contrário não há muito o que se fazer. Ele diz que as instituições financeiras, de maneira geral, não podem ser responsabilizadas por uma ação ativa da pessoa, quando não há erro dentro da plataforma bancária.

“Se foi a pessoa que enviou por vontade própria o seu dinheiro para um desconhecido. Os bancos não têm responsabilidade direta sobre isso. Eles são responsáveis por golpes que acontecem dentro de seus sistemas, seja no aplicativo do banco, ou no site da instituição. Se o erro (de transferir o valor) foi do usuário, a instituição não pode ser culpada”.

Instituições contra ações criminosas

Sobre o “bug do PIX”, o Banco Central garante que nenhum cliente tenha sido lesado por erros no sistema das instituições participantes do sistema, já que nenhum processo interno do órgão apresentou falha desde o início da operação, em 16 novembro.

“No caso de algum estelionatário utilizar o PIX como mote para induzir o cidadão a erro, cabe ao prestador de serviço de pagamento a análise do caso de fraude e o eventual ressarcimento, a exemplo do que ocorre hoje em fraudes bancárias” diz o BC em nota.

Já a Febraban diz que, juntos aos bancos, investe em campanhas de conscientização em seus canais de comunicação com os clientes para orientar a população a se prevenir de fraudes.

“Os bancos investem cerca de R$ 2 bilhões por ano em sistemas de tecnologia da informação (TI) voltados para segurança, valor que corresponde a cerca de 10% dos gastos totais do setor com TI para garantir a tranquilidade de seus clientes em suas transações financeiras cotidianas”, enfatiza.

O WhatsApp, por sua vez, diz que oferece mecanismos para que usuários se protejam de golpes na plataforma. “Caso um usuário receba uma mensagem de um criminoso tentando se passar por um contato, é preciso reportar a conversa à plataforma, por meio da opção “denunciar”, que fica no menu do aplicativo”.

  • com informações da CNN Brasil