Conheça os manguezais da Amazônia. O maior cinturão de manguezais do mundo

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Conheça os manguezais da Amazônia. O maior cinturão de manguezais do mundo

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Os manguezais são ecossistemas existentes nas regiões tropicais e subtropicais. São considerados ambientes de transição entre o ambiente terrestre e marinho, sofrendo influência tanto do mar quanto de rios.

Ocorrem principalmente em regiões tropicais do planeta (ou seja, em locais com altas temperaturas médias anuais), desenvolvendo-se em maior estrutura em locais com grandes variações de marés e com regimes pluviométricos altos. No Brasil, os manguezais formam grandes sistemas nas regiões Norte e Nordeste.

Manguezais possuem sedimento lamacento e salino, inundado diariamente pela maré, o que exige que as árvores se adaptem para sobreviver. Nos mangues da Amazônia, as principais árvores encontradas são o mangueiro ou mangue-vermelho, o mangue-siriba, siribeira ou mangue-branco e a tinteira, tinta ou mangue-preto. Em todas essas espécies, o fruto germina ainda preso na planta-mãe, o que garante a germinação das sementes antes que atinjam o ambiente salino do sedimento. Existem cerca de 80 espécies diferentes de árvores de mangue. Todas essas árvores crescem em áreas de solos encharcados, onde águas lentas permitem que sedimentos finos se acumulem. Nesses ambientes, os manguezais sequestram quantidades significativas de carbono, armazenadas por séculos.

Foto: Reprodução

Com cerca de 8 mil km², as áreas de manguezal entre os estados do Pará e Maranhão ocupam mais de 80% dos manguezais do país. Com 679 km de linha da costa entre os estados do Pará e Maranhão, o cinturão é considerado o maior cinturão de manguezais do mundo.

Os manguezais amazônicos formam verdadeiras florestas, com relatos de árvores de até 30 m de altura e 1 m de diâmetro. O grande porte dessas árvores provavelmente resulta das temperaturas tropicais, da grande amplitude de marés e da costa muito recortada, com ondas suaves, condições consideradas ideais para o desenvolvimento desse ecossistema. Dependendo da influência das marés e da localização dos mangues no estuário, estes podem ser salinos ou salobros (com pouca influência de água salina).

Apesar do tamanho das árvores, existem apenas 6 espécies de árvores consideradas exclusivas de mangue, ou seja, dominantes nesse ambiente. Essas espécies pertencem a apenas três gêneros: Rhizophora, Avicennia e Laguncularia. Também são ocasionalmente encontradas no mangue algumas espécies associadas, como o chamado mangue-de-botão (Conocarpus erecta), bastante comum nas áreas de transição com outros tipos de vegetação, e a samambaia-do-mangue (Acrostichum aureum), presente em mangues salobros.

Muitas aves frequentam os mangues amazônicos, mas merecem destaque a garça (Ardea alba), o guará (Eudocimus ruber), com sua plumagem de um vermelho intenso, quando adulto, e diversas espécies de maçaricos. As aves procuram o mangue para reprodução, chegando a formar grandes ninhas, ou para encontrar alimento. Mamíferos também visitam o mangue em busca de alimento, destacando-se o guaxinim (Procyon cancrivorus), o tamanduá (Tamandua tetradactyla), o macaco-prego (Cebus apella), cuícas e morcegos. Diversos peixes, crustáceos e moluscos também cumprem ao menos parte de seu ciclo de vida nos mangues.

No Brasil, os manguezais são considerados ‘Áreas de Proteção Permanente’ (APPs), protegidos legalmente pelo Código Florestal (Lei 12.651/2012). Contudo, de 1980 a 2005, o Brasil perdeu 50 mil hectares de floresta de manguezal, principalmente no sul do país. Os manguezais da Amazônia, entretanto, sofrem baixos níveis de exploração. A intervenção humana nos manguezais amazônicos é impulsionada pela rede viária (transporte por meio terrestre), em particular as estradas pavimentadas. Alguns estudos mostram que cerca de 90% dessas estradas pavimentadas estão a 3 km das florestas de mangue, ou seja, estão próximas, facilitando o acesso e, consequentemente, levando risco para o ecossistema manguezal como um todo.

Além disso, a principal ameaça aos manguezais da região amazônica é o assentamento humano, isto é, as novas ocupações na linha costeira próximas ao mangue.

Fonte: Portal Amazônia