Com o preço do gás subindo a todo vapor, o portovelhense tem que se virar para o dinheiro não virar fumaça

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Com o preço do gás subindo a todo vapor, o portovelhense tem que se virar para o dinheiro não virar fumaça

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O paraibano Luís Carlos de Souza lembra com saudades do tempo das Usinas em Porto Velho. Foi a época em que mais ganhou dinheiro. Hoje, com a alta do preço do gás, o pipoqueiro com 22 anos de profissão diz que está ganhando cada vez menos. O Madeirão conversou com Luís e outras pessoas que falaram sobre como o preço do gás vem afetando as suas vidas.

Em apenas dois meses do ano de 2021, o gás de cozinha rouba os holofotes mais uma vez. Isso porque quem depende do gás para cozinhar está sentindo no bolso uma série de aumentos de amargar. 

O gás está caro, e isso tem feito com que muitas pessoas procurem alternativas para levar o prato à mesa. 

Somente em Porto Velho, a média das revendedoras é de R$ 79,93; o ano iniciou com o gás custando R$ 79,34. Os dados são calculados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), através da coleta de valores de diferentes pontos da cidade. Mas os preços já chegaram aos R$ 100.

Hanibal Martins

Além da alta cotação do dólar, os ajustes de impostos, que variam de Estado para Estado, também são os grandes vilões dessa história. Para o contador Hanibal Martins, de 53 anos, o Estado deveria rever a questão do ICMS sobre os combustíveis em geral. “Isso sobrecarrega os valores não só gás de cozinha, mas também dos outros combustíveis como a gasolina o diesel. Então eu acho que poderia se rever isso aí e diminuir os impostos para que haja uma diminuição no valor da botija de gás. Mudar os hábitos não tem como, nós precisamos realmente desta fonte de energia, né, eu acho que uma regressão seria uma coisa inapropriada, né… fazer fogueira pra cozinhar”, brinca.

Para muitas famílias, recorrer a outras formas de preparo de alimento tem sido uma opção. O fogão à lenha virou uma alternativa viável para as famílias com mais de cinco integrantes, por exemplo, já que o preço médio do metro da lenha é de R$ 60,00 e na utilização para o preparo no alimento chega a durar cerca de dois meses. 

Paula Fernanda

Outras famílias com menos integrantes, tem preferido até mesmo utilizar a energia para o preparo ou reaquecimento da comida, assim como conta a comerciante Paula Fernanda de Souza, de 36 anos de idade, a proprietária da loja de roupas que mora apenas com o marido conta como tem feito pra economizar dentro de casa. “A gente já tem praticamente tudo elétrico, como:  panela elétrica, frigideira elétrica, micro-ondas. Futuramente quero ter um forno elétrico, também” comenta.

Na cozinha do restaurante

Maria de Araújo

O discurso não muda para os proprietários de restaurantes. Este setor do comércio é o que mais tem sentido impacto do aumento do gás de cozinha. Dona Maria de Araújo de 65 anos e proprietária de uma lanchonete, conta que, só no estabelecimento são três fogões que utilizam do gás, a comerciante preferiu até mesmo terceirizar o lanche que vende, comprando de outra pessoa, para revender em seu estabelecimento. “a energia é cara, né, mas se a gente pudesse resolver só na energia, logo, era melhor porque o gás que tá muito caro” desabafa.

 E pra onde a gente corre?

 

O pipoqueiro Luís Carlos de Souza veio para Porto Velho há 33 anos, deixando para trás a cidade de Catolé do Rocha, na Paraíba. Há 22 anos começou a trabalhar com um negócio completamente dependente do óleo de cozinha, que disparou de preço com a pandemia, e o gás de cozinha, que hoje já se encontra à venda por R$ 100 na Capital do Estado. Sem ter o que fazer, o pipoqueiro apenas lamenta. “Não tem a quem recorrer. E nem dá para repassar o custo ao consumidor, porque senão, não vende”, desabafa.

Luís Carlos

Apesar de tudo, Luís não pensa em abandonar as panelas e os grãos de milho. “Infelizmente não tive condições de estudar, e faço isso há 22 anos. Não vou parar. É melhor do que ficar parado, do que ficar em casa”. Assim como o pipoqueiro, todos nós vamos pelejando. “Até que Deus nos dê um tempo melhor para a gente. Porque em Deus, eu confio”, arremata.