‘Cidades-fantasma’: conheça municípios da Amazônia que foram abandonados

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‘Cidades-fantasma’: conheça municípios da Amazônia que foram abandonados

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arraual de bom jesus do pontal

Você já imaginou visitar um lugar que já foi muito popular e, hoje, amarga o abandono? O Portal Amazônia preparou uma lista com algumas cidades da Amazônia que estão abandonadas; confira:

 

Velho Airão 

Entre os anos de 1879 e 1912, a Amazônia viveu o incomparável apogeu da borracha. Nessa época, no ano de 1694, foi fundada a cidade de Airão, sendo considerado o primeiro povoado às margens do Rio Negro.

Por muito tempo, Airão foi uma vila essencial para a fabricação de borracha. Principalmente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando os aliados do Brasil compravam pneus e materiais cirúrgicos da Amazônia.

Após o fim da guerra, a busca por látex caiu drasticamente. Os comerciantes não estavam preparados para tal quebra na economia, uma vez que Airão era ponto de coleta e envio de látex.

Aos poucos, a cidade faliu e seus moradores buscaram oportunidades em outros lugares da região.

Para completar a debandada dos habitantes de Airão, um político afirmou que os moradores estavam sendo devorados por formigas e solicitou a mudança da sede do município. Então, na década de 50, os remanescentes foram deslocados para a área onde está a cidade de Novo Airão.

 

Ruínas de Velho Airão. Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Fordlândia

Localizada no município de Aveiro, no Estado do Pará, está a Fordlândia. Ela recebeu este nome porque foi projetada para ser uma cidade operária e agroindustrial.

O projeto “Fordlândia” nasceu, após o empresário Henry Ford, por meio de sua empresa Ford Industrial do Brasil,comprar uma área de terras às margens do Rio Tapajós. Antes de efetuar a compra, Ford conseguiu uma concessão do estado do Pará, através do governador Dionísio Bentes e aprovada pela Assembleia Legislativa, em 30 de setembro de 1927.

Logo nos primeiros meses, a cidade encontrou dificuldades, pois a terra era infértil e nenhum dos gerentes de Ford possuía experiência em agricultura equatorial. Dessa forma, houve o plantio incorreto das seringueiras.

Com o passar do tempo, os funcionários ficaram incomodados com o número de regras que foram criadas como, por exemplo, sirenes, relógios de ponto e regras de comportamento.

Depois do falecimento de Henry Ford, em 1947, seu neto assumiu o comando da empresa nos Estados Unidos e decidiu encerrar o projeto de plantaçãode seringueiras.

 

Imagens de Fordlândia. Foto: Reprodução/Internet

Santo Antônio do Rio Madeira

A apenas sete quilômetros do Centro de Porto Velho havia uma cidade que literalmente sumiu do mapa. Santo Antônio do Rio Madeira era, em área, o maior município do planeta até ser anexado em 1945 à atual capital de Rondônia. A dimensão era tamanha que, hoje, a área de Santo Antônio é ocupada por mais de 100 cidades e vilarejos.

A história do lugar ganhou as páginas do livro “A cidade que não existe mais”, de Júlio Olivar. Segundo a obra, a vila de Santo Antônio foi fundada por jesuítas no século XVII, mas consolidou-se cem anos depois como vilarejo localizado ao extremo norte do Mato Grosso, fazendo fronteira com três estados e a Bolívia. Em seu território havia milhares de indígenas, gente do mundo inteiro, os maiores seringais, o Forte Príncipe da Beira e a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Atualmente, existem alguns resquícios do que fora Santo Antônio, como por exemplo a capela de 1913 e o obelisco de 1922, que resistem ao tempo. No largo da histórica “igrejinha” também está instalado o Memorial Rondon dedicado à preservação do herói da Pátria Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, aberto à visitação pública de terça a domingo.

 

Santo Antônio do Rio Madeira. Foto: Reprodução/Internet

Arraial de Bom Jesus do Pontal

Em 1738, Antônio Sanches fundou o Arraial de Bom Jesus do Pontal, que se tornou um dos primeiros vilarejos a serem estabelecidos no que viria a ser o Estado do Tocantins. Já no ano de 1810, um grupo de moradores do Arraial foi atacados por indígenas da etnia Xerente. Eles estavam garimpando em uma área próxima quando o ataque aconteceu. Ninguém sobreviveu.

Por causa disso, algumas famílias resolveram mudar para Portal Real, atualmente, Porto Nacional. Com o passar do tempo, a estrutura de Arraial foi se deteriorando. Sobraram apenas algumas ruínas como, por exemplo a antiga Igreja de Santo Antônio e Santa Clara.

As ruínas estão localizadas no município de Porto Nacional – TO, a apenas 3 km da TO-255 e a 40 km da sede do município.

 

Estrutura de Arraial de Bom Jesus do Pontal. Foto: Reprodução/Internet

Serra do Navio

Serra do Navio é um município na região noroeste do Amapá, criado pela Lei Nº 7, de 1º de maio de 1992. Está localizado a 210 quilômetros da capital e o acesso é pela BR-210 (Perimetral Norte). Possui população estimada em 4.938 habitantes e uma área de 7.791,3 km².

A história de Serra do Navio é marcada pela implantação de um megaprojeto de mineração na Amazônia, em 1950, que perdurou por quase cinco décadas – a cidade foi projetada para abrigar os funcionários. Com a indústria mineradora, vieram as construções com padrões norte-americanos que até hoje ainda podem ser vistas na região. Com a desativação da mineradora, Serra do Navio passou por profunda transformação, passando cidade “modelo” à cidade “fantasma”. Ainda abriga empresas mineradoras, mas de menores proporções.

Faz limite com os municípios de Calçoene, Pedra Branca do Amapari, Ferreira Gomes e Pracuúba. Possui diversas comunidades, como Água Branca, Arrependido do Amapari, Cachaço do Amapari, Pedra Preta, dentre outras.

 

Foto: Reprodução/Iphan

Fazenda da Pirelli

Comprada em 1951 pela multinacional Pirelli, a fazenda Oriboca, no município de Marituba, no Pará, foi transformada em uma vila para fornecer matéria prima para sua própria produção. No local, foram plantadas seringueiras que estão ainda lá, fornecendo a seiva aos poucos habitantes locais.

No local, além da vila de casas, é possível avistar as ruínas da fábrica, galpões e uma caixa d’água. Atualmente, o espaço é uma reserva tombada e mantida pelo governo federal.

Foto: Reprodução/Lugares Estranhos
Fonte: Portal Amazônia