Em meio a tensões no Brasil e nos EUA, presidente do BC brasileiro assina manifesto em defesa da autonomia da política monetária
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, juntou-se a outros líderes de autoridades monetárias em uma declaração conjunta de apoio a Jerome H. Powell, presidente do Federal Reserve (FED) dos Estados Unidos. Powell enfrenta críticas do ex-presidente Donald Trump, que pressiona por uma redução mais rápida das taxas de juros.
De acordo com o Banco Central brasileiro, o manifesto “reafirma a autonomia técnica das instituições como pilar central da estabilidade econômica global”. A publicação ocorre em um momento de tensão no Brasil, em decorrência da liquidação do Banco Master.
No texto, os governadores dos bancos centrais enfatizam que a independência institucional é “fundamental para assegurar a estabilidade de preços e o bem-estar dos cidadãos, sempre sob a égide do Estado de Direito e da transparência democrática”. Ao assinar o documento, Galípolo alinha o Brasil a instituições como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco de Compensações Internacionais (BIS).
Nos Estados Unidos, Jerome Powell informou que o Departamento de Justiça o notificou com intimações de um grande júri, com a ameaça de uma acusação criminal relacionada a seu depoimento ao Senado sobre a reforma de prédios históricos da autoridade monetária. Powell, que deixará o cargo em maio, declarou: “Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilização em nossa democracia. Ninguém — certamente nem o presidente do Fed— está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”.
No Brasil, a autonomia do Banco Central também está sob escrutínio. O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jonathan de Jesus, solicitou esclarecimentos sobre a liquidação do Banco Master, questionando se ela foi “precipitada”. Foi decretado sigilo sobre o processo. O BC decidiu pela liquidação extrajudicial do conglomerado após a Fictor Holding apresentar uma proposta de compra, rejeitando anteriormente uma aquisição pelo BRB (Banco de Brasília).
Investigações do BC e da Polícia Federal revelaram negócios suspeitos de fraude na venda de carteiras de crédito do Master ao BRB, totalizando R$ 12,2 bilhões. O presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, reuniu-se com Gabriel Galípolo para “encontrar uma forma de conciliar o poder de fiscalização do TCU com a autonomia do BC, que questiona a possibilidade de inspeção técnica em suas dependências”. O BC concordou com uma inspeção sobre o Banco Master.
Com informações do G1










