Em resposta à insatisfação de agricultores, França limita importação de produtos com substâncias proibidas na UE, mirando o Mercosul
A França decretou a suspensão temporária da importação de certos produtos agrícolas, principalmente sul-americanos, que utilizam substâncias proibidas na União Europeia. A medida, anunciada no último domingo (4), é uma resposta direta à indignação dos agricultores franceses em relação ao acordo comercial UE-Mercosul.
Com a iminência da assinatura do tratado, França e UE buscam formas de acalmar o setor agrícola, que teme o impacto da chegada de produtos de Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Ministros da Agricultura europeus se reúnem hoje (7) em Bruxelas para discutir as preocupações, em meio a protestos que bloqueiam estradas com tratores.
A suspensão, que entrará em vigor na quinta-feira e durará um ano após sua publicação no Diário Oficial, deve ser aprovada pela Comissão Europeia. Produtos como abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas, que contenham os fungicidas e herbicidas mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil, serão afetados. O Ministério da Agricultura francês esclareceu que a medida “não é um decreto dirigido contra a América do Sul, mas contra qualquer país” que utilize essas substâncias.
Bruxelas tem dez dias para analisar a suspensão, podendo mantê-la, estendê-la a toda a UE ou se opor a ela. A medida também exige que empresas do setor alimentício implementem controles para garantir a ausência das substâncias proibidas nos produtos importados. O governo francês, liderado por Emmanuel Macron, enfrenta forte pressão do setor agrícola, que já realizou protestos significativos.
A oposição francesa ao acordo é clara. Benjamin Haddad, ministro para a Europa, reiterou que o esboço do acordo permanece inaceitável, mesmo com as “melhorias obtidas”. A assinatura pode ocorrer em 12 de janeiro, caso seja aprovada pela maioria qualificada do Conselho Europeu. Para amenizar as preocupações, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs um financiamento adicional de 45 bilhões de euros (283 bilhões de reais) para os agricultores europeus, no âmbito da futura Política Agrícola Comum (PAC) 2028-2034.
Agricultores europeus temem a entrada de carne, arroz, mel e soja sul-americanos, considerados mais competitivos. Além disso, há insatisfação com o tratamento da dermatose nodular bovina, doença que exige o abate do rebanho. “Precisamos mesmo encontrar uma solução para salvar a agricultura francesa”, disse o pecuarista Pierre Solana, durante um protesto.
“É uma guerra de desgaste. Estamos determinados a fazer o que for preciso para obter respostas e sermos ouvidos”, acrescentou Solana.
Com informações do G1










