Acordo UE-Mercosul é aprovado, mas França ameaça retaliação para proteger seus agricultores. Entenda a crise
A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, alertou que o país adotará medidas “unilaterais” caso o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul coloque em risco o setor agrícola e pecuário francês. A declaração ocorre após a aprovação do acordo pela Comissão Europeia, mesmo com a forte oposição da França.
Genevard fez as declarações durante uma coletiva de imprensa, em resposta ao descontentamento de agricultores que protestaram contra o acordo e contra a gestão da dermatose nodular bovina. Questionada sobre um possível revés para a França, a ministra defendeu as concessões obtidas por Bruxelas para os agricultores europeus desde a conclusão do acordo em Montevidéu, em dezembro de 2024. “A França fez-se ouvir”, assegurou.
A ministra advertiu: “Não hesitaremos em adotar unilateralmente uma série de medidas assim que considerarmos que nossos setores estão em perigo”. Como exemplo, citou a recente suspensão, por um ano, da importação de alguns produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na UE, principalmente de origem sul-americana.
A aprovação do acordo pela UE ocorreu por maioria qualificada, apesar da oposição de França, Polônia, Irlanda e Hungria. Com isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo no Paraguai em 17 de janeiro, conforme anunciado pelo chanceler argentino, Pablo Quirno. No entanto, o Parlamento Europeu ainda precisa dar seu aval, o que é incerto, com cerca de 150 eurodeputados ameaçando recorrer à Justiça para impedir a aplicação do tratado.
“Não é o fim da história. Há um ator-chave que vai entrar em cena: o Parlamento Europeu”, alertou Genevard. A negociação do acordo entre a UE e o Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) se estende desde 1999, visando criar a maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de consumidores.
O setor agropecuário europeu teme o aumento das importações de carne, arroz, mel e soja da América do Sul, em troca da exportação de veículos, máquinas, queijos e vinhos europeus para o Mercosul. A disputa demonstra a complexidade do acordo e a necessidade de equilibrar os interesses de diferentes setores e países.
Com informações do G1











