Em decisão inédita, França debate banir redes sociais para adolescentes e celulares nas escolas, em resposta a crescentes preocupações com a saúde mental
Os deputados franceses votarão, em primeira instância, nesta segunda-feira (25), a proibição do uso das redes sociais por menores de 15 anos e o banimento dos celulares das escolas de ensino médio. As medidas, que visam proteger a saúde dos adolescentes, contam com forte apoio do governo francês e do presidente Emmanuel Macron, mas não representam um consenso.
A Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e Ocupacional (ANSES) alertou, no início do mês, que redes sociais como Instagram, TikTok ou X estão prejudicando seriamente a saúde mental dos adolescentes. Os riscos listados são numerosos, incluindo cyberbullying, comparação constante com os outros e exposição a conteúdo violento. Também são destacados os sistemas que prendem a atenção e perturbam o sono.
O debate ganhou destaque na imprensa francesa. O jornal La Croix publicou a experiência do coletivo Algos, formado por pais que entraram na Justiça com processos judiciais contra a plataforma TikTok, a qual acusam de “incentivar a anorexia, depressão e mesmo suicídio de adolescentes”. Eles se dizem impotentes contra o poder dos algoritmos e contam com a legislação para os apoiar.
No entanto, algumas organizações de pais e de estudantes consideram a proibição do uso de redes sociais pelos adolescentes como “uma resposta muito simples para um problema complexo”. Eles defendem a educação para o mundo digital, reforçando o papel dos pais nessa discussão. Questionam também a aplicação de uma proibição total, argumentando que os menores poderiam recorrer ao uso de VPN (rede privada virtual) para contornar a restrição.
Especialistas ouvidos pelo jornal Libération alertam que a interdição total pode ser interpretada pelos adolescentes como falta de confiança em sua capacidade de discernimento e que não aborda as causas estruturais do problema. Defendem que não há dados científicos sobre a eficácia de tal medida, enquanto envolver os menores na discussão poderia ser mais eficiente.
Outros especialistas defendem a necessidade de agir com todas as armas contra um inimigo capaz de promover o sedentarismo e inúmeros problemas de saúde às crianças francesas, incluindo doenças do sono, problemas psicológicos e mesmo a miopia, “em nome de um modelo de negócios lucrativo para as plataformas digitais”.
A votação desta segunda-feira marcará o início de um debate crucial sobre o papel das redes sociais na vida dos jovens e a responsabilidade das plataformas digitais em proteger seus usuários.
Com informações do G1







