A flor-de-Carajás (Ipomoea cavalcantei), espécie endêmica e ameaçada de extinção restrita ao Pará, demonstra uma notável capacidade de adaptação às condições climáticas. Um estudo publicado na revista New Phytologist revela que a planta ajusta suas taxas de crescimento e fecundidade de acordo com as características microclimáticas do ambiente.
A pesquisa, fruto de uma colaboração entre o Instituto Tecnológico Vale, a UFRJ e outras instituições brasileiras, acompanhou populações naturais da flor-de-Carajás na Floresta Nacional de Carajás, no sudeste do Pará, durante dois anos. Os pesquisadores analisaram áreas de canga aberta, com alta radiação e temperatura, e canga arbustiva, com clima mais ameno.
Os resultados indicam que, em áreas mais abertas e “estressantes”, a flor-de-Carajás apresenta maior germinação de sementes e estabelecimento de plântulas, embora atinjam um tamanho menor na fase adulta. Já em áreas arbustivas, o crescimento e a produção de sementes são maiores, mas a germinação é menor.

“O estudo mostra que populações em ambientes contrastantes apresentam crescimento populacional semelhante, mas sustentado por conjuntos diferentes de taxas vitais”, explica Talita Zupo, autora do estudo. Essa “compensação demográfica” pode aumentar a resiliência da espécie diante das mudanças climáticas, mas tem seus limites, sendo vulnerável a temperaturas extremas.
Para Carolina Carvalho, também autora do trabalho, a principal lição é que os detalhes do microclima são cruciais para a conservação da espécie. “Políticas de conservação devem buscar preservar a heterogeneidade ambiental, pois é justamente essa variação que permite a compensação entre taxas vitais e sustenta a persistência da espécie”, conclui.
Com informações do Portal Amazônia.












