Árvores da Flona Jamari — Foto: Leiliane Byhain/Rede Amazônica
A Floresta Nacional do Jamari (Flona Jamari), localizada entre os municípios rondonienses de Itapuã do Oeste e Cujubim, emerge como um exemplo de sucesso em manejo florestal sustentável na Amazônia. Após 15 anos de concessão, o projeto demonstra que é possível explorar economicamente a floresta sem comprometer sua integridade, e será apresentado como modelo na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30), em Belém.
A Flona Jamari foi pioneira ao obter autorização para a derrubada legalizada de madeira, e hoje sustenta cerca de 400 empregos diretos, impulsionando a economia local. A madeira extraída, proveniente de espécies valorizadas e manejadas de forma controlada, é escoada pelo rio Madeira e destinada principalmente ao mercado internacional – Estados Unidos, Portugal e Holanda são os principais destinos – e a uma parcela do mercado interno.
O modelo, que abrange 90 mil hectares dos mais de 220 mil da Flona, permite a remoção controlada de árvores: a cada hectare – o equivalente a um campo de futebol – apenas 3 a 4 árvores são derrubadas, garantindo a regeneração da floresta. A empresa Madeflona é responsável pela exploração de impacto reduzido, dividindo a área em lotes e explorando-os de forma rotativa, com um ciclo de 31 anos para a recuperação completa das áreas.
“Essa é uma atividade de bioeconomia, que demonstra como é possível utilizar os recursos florestais para manter a floresta em pé”, afirma Renato Resenberg, diretor de concessões do Serviço Florestal Brasileiro. Imagens de satélite comprovam a eficácia do modelo, mostrando que a Flona Jamari e a Flona de Jacundá permaneceram preservadas em contraste com o desmatamento que atingiu áreas ao redor nos últimos nove anos.
O governo federal planeja expandir o modelo para outras regiões da Amazônia, buscando replicar o sucesso de Rondônia. A consulta e o diálogo com os povos indígenas são fundamentais nesse processo, garantindo que os projetos respeitem seus direitos e contribuam para a melhoria de sua qualidade de vida, com investimentos em áreas como educação e infraestrutura. A madeira extraída da Flona Jamari possui certificação FSC (Forest Stewardship Council), atestando sua origem legal e manejo sustentável.
Para Dario Carnelli Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, a iniciativa reforça o valor da floresta em pé e demonstra que é possível conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental na Amazônia.
Com informações do G1 Rondônia









