Uma expedição da Fiocruz Amazônia, financiada pelo Ministério da Saúde, está investigando a inter-relação entre mudanças climáticas e a saúde das populações indígenas do Amazonas. O projeto Ybyrá, que iniciou em 7 de fevereiro, atua em 13 aldeias da etnia Munduruku, na calha do Rio Canumã.
Equipes de pesquisadores da Fiocruz Amazônia e de outras instituições parceiras estão coletando dados clínicos, epidemiológicos e socioambientais, além de amostras biológicas de humanos e animais para rastrear possíveis patógenos. A iniciativa também oferece exames de rotina, como hemograma, teste de glicemia e rastreamento de HPV, que são de difícil acesso para essas comunidades.
A pesquisa busca entender como a crise climática – manifestada em secas e cheias extremas – afeta a segurança alimentar e hídrica, o acesso à saúde e o controle de doenças crônicas e infecciosas. “A ideia é entender o impacto das mudanças climáticas na vida dos indígenas e o que está acontecendo em relação às doenças crônicas, em função do consumo de ultraprocessados”, explica o virologista Pritesh Lalwani, coordenador do Ybyrá.

Além da coleta de dados, o projeto promove ações de controle social e educação em saúde, abordando temas como direitos humanos, acesso à saúde indígena, insegurança alimentar e hídrica, e os impactos de alimentos ultraprocessados. A equipe retornará à região em agosto e setembro, durante a seca, para um novo levantamento e apresentação dos resultados às comunidades.
O Ybyrá envolve a colaboração de diversas instituições, como a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e o Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi). Para as lideranças indígenas, a iniciativa representa um marco histórico e uma oportunidade para melhorar o acesso à saúde em um território isolado.
“Essa é a contribuição social desse projeto em rede, uma vez que atuando juntos estamos trazendo uma visão integrada do território, buscando entender os impactos das mudanças climáticas e ambientais para uma população que também é negligenciada e enfrenta dificuldades”, enfatiza Pritesh Lalwani.

Com informações do Portal Amazônia.










