A Fiocruz Amazônia será a sede da Rede de Observatórios para o monitoramento de feminicídios na Amazônia Ocidental, um marco no combate à violência contra a mulher. A iniciativa será apresentada no Seminário Amazônico sobre Vigilância Inteligente do Feminicídio, em 6 de março, com o lançamento da estratégia Vigifeminicídio e a entrega do primeiro centro de inteligência epidemiológica do Brasil dedicado a esse tipo de crime.
Localizado no Prédio Rio Solimões, o centro contará com apoio dos observatórios de Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Boa Vista (RR), Manaus (AM) e Rio de Janeiro (RJ). O objetivo é gerar dados robustos e confiáveis, contribuindo para o aperfeiçoamento de políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio.
A Rede Vigifeminicídio também lançará o sistema FemiBot, uma ferramenta inovadora para captura e armazenamento de dados online sobre assassinatos femininos. Segundo Jesem Orellana, coordenador da rede, a estratégia busca ser ágil, padronizada, de baixo custo e replicável, facilitando a tomada de decisões baseada em evidências. “O intuito é reunir integrantes e colaboradores dos observatórios, representantes de movimentos sociais e órgãos públicos para apresentar as estratégias de atuação da Rede e reforçar a importância do trabalho interinstitucional”, destaca Orellana.
A criação do centro de inteligência epidemiológica é vista como uma importante contribuição da Fiocruz para a formulação de políticas públicas. A diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, ressalta a dificuldade em distinguir mortes de mulheres como feminicídio, especialmente em casos envolvendo tráfico de drogas. “A subnotificação tem graves consequências: sem dados confiáveis, não conseguimos desenvolver políticas públicas eficazes”, afirma Stefanie.
A iniciativa se baseia em um tripé temático que integra ciências humanas, saúde e engenharia da computação, utilizando inteligência artificial para analisar dados e identificar casos “invisíveis” de violência letal por gênero. A recente Lei 14.994/2024, que tipifica o feminicídio como crime independente com pena mais alta, fortalece o trabalho da Rede Vigifeminicídio.
Com informações do Portal Amazônia.










