A dor é imediata e pode ser insuportável. Uma ferroada de arraia, um acidente relativamente comum em rios e orlas brasileiras, incluindo a região amazônica, pode causar sofrimento e, em casos raros, complicações graves.
Para entender como agir diante desse tipo de ocorrência, o Portal Amazônia conversou com Lucas Castanhola Dias, biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e especialista no assunto.
O que fazer após a picada?
De acordo com Lucas, o primeiro passo é retirar a vítima da água e lavar a ferida com água morna. “A água quente ajuda a aliviar a dor, que é imediata e extremamente intensa, inativando parte das toxinas do ferrão”, explica o biólogo, alertando para que a temperatura não seja escaldante para evitar queimaduras.
Em seguida, é fundamental procurar uma unidade de saúde. “A limpeza adequada da ferida, a avaliação da necessidade de antibióticos e a remoção de possíveis fragmentos do ferrão são essenciais. Além da dor, podem ocorrer inchaço, sangramento, vermelhidão e, em casos mais graves, necrose. Náuseas, vômitos e dificuldade para respirar também podem indicar um quadro mais sério”, detalha o biólogo.
Por que a dor é tão forte?
Lucas explica que a intensidade da dor é resultado de uma combinação de fatores. O ferrão possui bordas serrilhadas que causam um trauma profundo nos tecidos, e o epitélio que o recobre libera toxinas que aumentam a sensibilidade à dor e provocam inflamação.
Ferroada de arraia pode ser fatal?
Embora raros, casos de morte podem ocorrer quando o ferrão atinge órgãos vitais, como o tórax ou o abdômen, perfurando-os. Infecções graves, decorrentes da falta de tratamento adequado, também representam um risco.
Aumento de casos na Amazônia
Dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) revelam que foram registrados 833 casos de ferroada de arraia na região entre 2019 e 2024. A alta incidência, especialmente entre ribeirinhos, pescadores e banhistas, preocupa as autoridades de saúde.
“Os números indicam que pode haver um problema de saúde pública local. Muitas ocorrências não são notificadas, mas os registros confirmam a necessidade de atenção”, afirma Lucas, que coordena pesquisas sobre o veneno das arraias e seus efeitos em humanos.
Com informações do Portal Amazônia










