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08 de janeiro de 2026

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Febre Oropouche se espalha pelo Brasil: o que está acontecendo?

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A febre Oropouche tem chamado a atenção no Brasil em 2024, com um aumento de casos que ultrapassou as áreas tradicionais de ocorrência na Amazônia e atingiu estados de todas as regiões do país. Até agora, 22 das 27 unidades federativas registraram casos confirmados em laboratório.

O Espírito Santo lidera o ranking de casos, com 6,3 mil testes positivos em 2024 – o que representa 45% dos 13,8 mil casos notificados em todo o Brasil no mesmo período e 39% do total de 16,2 mil infecções nas Américas. Até outubro deste ano, o Ministério da Saúde confirmou 11.930 casos, cinco óbitos e dois casos em investigação.

Em São Paulo, o número de casos saltou de 8 em 2023 para 161 até setembro de 2024, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde.

A expansão do vírus Orthobunyavirus oropoucheense (OROV) intrigou especialistas. Um estudo recente, conduzido por pesquisadores da Unesp, USP e Instituto Butantan, identificou os principais fatores que contribuíram para essa disseminação e busca prever os próximos passos da doença.

De acordo com a pesquisa, publicada na revista PLOS One, o aumento das temperaturas, a alta umidade e o desmatamento são elementos chave. Essas condições favorecem a reprodução do vírus e do mosquito-pólvora (Culicoides paraensis), vetor da doença. O fenômeno de aquecimento global e o El Niño também contribuíram para essa situação.

A remoção da mata nativa para atividades como pastagem e plantio de soja diminui a biodiversidade, reduzindo o número de predadores naturais do mosquito-pólvora e facilitando sua proliferação. Além disso, plantações de banana, dendê e algodão proporcionam um ambiente propício para a sobrevivência das larvas do mosquito.

O estudo também aponta que áreas periurbanas – de transição entre campo e cidade – e regiões com indicadores socioeconômicos mais baixos são mais suscetíveis à doença.

Há ainda a possibilidade de que uma mutação no genoma do vírus OROV tenha aumentado sua transmissibilidade, permitindo que ele se espalhe mais facilmente e, possivelmente, escape da imunidade de pessoas que já foram infectadas.

Mapa prevê áreas de risco

Os pesquisadores desenvolveram um mapa de zonas suscetíveis à febre Oropouche, que já previu corretamente a chegada da doença ao litoral paulista. Em 2024, foram registrados 7 casos no litoral sul de São Paulo, número que subiu para 130 até junho de 2024, incluindo 30 casos em Ubatuba.

A pesquisadora Camila Lorenz, do Instituto Butantan, aplicou a mesma metodologia utilizada em estudos sobre o vírus do Nilo Ocidental para identificar os fatores que influenciam a distribuição da febre Oropouche. A análise considera dados sobre clima, uso do solo e indicadores socioambientais, revelando a temperatura ideal para a proliferação do vetor (cerca de 27°C).

O que se sabe sobre a febre Oropouche

A febre Oropouche causa sintomas semelhantes aos da dengue, como febre alta, dores de cabeça, dores nos músculos e articulações, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e irritações na pele. A doença é transmitida por mosquitos, e aves e primatas são reservatórios naturais do vírus.

Apesar de raramente ser fatal, a febre Oropouche é frequentemente subnotificada devido à dificuldade de acesso a serviços de saúde em áreas remotas da Amazônia e à falta de testes diagnósticos. A testagem é crucial para entender a real evolução da doença e direcionar as medidas de controle.

Ainda há muitas lacunas no conhecimento sobre a febre Oropouche. Pesquisadores investigam a possibilidade de outros mosquitos, como o Culex quinquefasciatus (pernilongo) e o Aedes aegypti (dengue), atuarem como vetores, mas ainda não há comprovação.

Diante das mudanças climáticas e do desmatamento contínuo, especialistas alertam para a importância de monitorar a febre Oropouche e investir em pesquisas para entender sua dinâmica e desenvolver estratégias eficazes de prevenção e controle.

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