O Brasil é uma nação plural. Nossa Constituição garante liberdade religiosa, liberdade de expressão e o direito à manifestação cultural. Contudo, quando recursos públicos são utilizados para financiar manifestações que zombam da fé de milhões de brasileiros, ultrapassa-se uma linha perigosa — a linha do respeito.
Recentemente, um bloco de carnaval, financiado com recursos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou enredo que, segundo amplas críticas, debochou do povo evangélico e cristão. Não se trata aqui de censura à arte, tampouco de negar a tradição cultural do carnaval. O ponto central é outro: até que ponto o Estado pode custear manifestações que atingem diretamente a dignidade religiosa de parte significativa da população?
O Brasil possui mais de 30% de sua população declaradamente evangélica, além de milhões de católicos e cristãos de outras tradições. Estamos falando de pais e mães de família, trabalhadores, estudantes, cidadãos que contribuem com impostos — impostos estes que retornam, em parte, para financiar espetáculos que ridicularizam suas convicções mais profundas.
A crítica não é contra o carnaval. O carnaval é manifestação cultural histórica. A crítica é contra o uso do dinheiro público para promover narrativa que transforma fé em caricatura.
A Constituição Federal é clara ao assegurar:
• Liberdade religiosa
• Igualdade entre os cidadãos
• Laicidade do Estado
Estado laico não é Estado hostil à religião. Estado laico é aquele que não favorece nem prejudica crença alguma. Quando uma manifestação cultural, patrocinada com verba pública, transforma símbolos cristãos em escárnio, abre-se um precedente preocupante: o da normalização do desrespeito institucionalizado.
É preciso refletir: haveria a mesma tolerância se o alvo fosse outra religião? Se o deboche fosse direcionado a minorias religiosas específicas? O princípio deve ser o mesmo para todos.
Ser conservador e cristão, neste contexto, não é ser intolerante. É defender valores que estruturam famílias, comunidades e a própria formação histórica do Brasil. É exigir respeito. É dizer que liberdade artística não pode ser confundida com liberdade para ofender.
O povo cristão não pede privilégios. Pede apenas aquilo que a Constituição já garante: dignidade, respeito e igualdade de tratamento.
Comportamentos que estimulam o escárnio da fé devem ser rechaçados com firmeza, porém com serenidade. O caminho não é o ódio, mas a consciência cívica. O caminho é a participação política responsável, o voto consciente, o debate público qualificado.
A fé cristã sobreviveu a perseguições muito mais severas ao longo da história. Não será o deboche carnavalesco que a destruirá. Contudo, o silêncio diante da injustiça pode normalizar a intolerância.
Que sejamos conservadores em valores, firmes em princípios e cristãos na postura. Que respondamos não com violência, mas com posicionamento claro. Que o respeito seja regra — para todos.
Porque fé não é fantasia. Fé é fundamento.
Pr. Jose Sidney Andrade dos Santos
Filosofo, Sociólogo, Escritor, Psicanalista
Primeira Igreja Batista de Candeias do Jamari – RO










