Ação judicial nos EUA contesta ataques com mísseis a embarcações perto da Venezuela, que resultaram em mais de 120 mortes
Os familiares de dois homens mortos em um ataque com mísseis dos EUA contra um barco suspeito de tráfico de drogas perto da Venezuela entraram com uma ação judicial por morte decorrente de ato ilícito, nesta terça-feira (27). Eles alegam que a dupla foi assassinada em uma campanha militar “manifestamente ilegal” que tinha como alvo embarcações civis.
Advogados de direitos civis entraram com a ação no tribunal federal de Boston, marcando a primeira contestação judicial a um dos 36 ataques de mísseis dos EUA contra embarcações no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico autorizados pelo governo do presidente Donald Trump que mataram mais de 120 pessoas desde setembro.
Familiares de Chad Joseph e Rishi Samaroo — dois homens de Trinidad que estavam entre os seis mortos durante um ataque em 14 de outubro — afirmam na ação judicial que os dois trabalhavam com pesca e agricultura na Venezuela e estavam voltando para suas casas em Las Cuevas, Trinidad, quando foram atacados.
“São assassinatos sem lei e a sangue frio; assassinatos por esporte e assassinatos por teatro, e é por isso que precisamos de um tribunal para proclamar o que é verdade e restringir o que é ilegal”, disse Baher Azmy, advogado dos autores da ação no Center for Constitutional Rights, em um comunicado. O Center e a American Civil Liberties Union entraram com a ação judicial com base na lei de morte em alto mar e no estatuto de responsabilidade civil do estrangeiro.
A ação foi movida por Lenore Burnley, mãe de Joseph, e Sallycar Korasingh, irmã de Samaroo, e busca uma indenização do governo dos EUA pelas duas mortes, e não uma liminar que impeça outros ataques. O caso, no entanto, pode abrir um precedente para que um tribunal avalie a legalidade do ataque de 14 de outubro.
O Pentágono não se pronunciou sobre o caso. O governo Trump tem defendido os ataques, alegando que são uma guerra contra os cartéis de drogas, que considera grupos armados, e que estão em conformidade com as regras internacionais. Essa alegação tem sido questionada por democratas e alguns republicanos no Congresso, que não autorizou ataques aos cartéis, e por grupos de direitos humanos. Especialistas jurídicos argumentam que os cartéis de drogas não se enquadram na definição internacional de grupo armado.
Com informações do G1










