Uma pesquisa da Revista Brasileira de Ciências Sociais revela que o extrativismo do tucumã na Ilha de Cotijuba, em Belém (PA), é fundamental para o empoderamento feminino e a resistência territorial. A coleta e comercialização do fruto se tornaram ferramentas vitais para mulheres que buscam autonomia e refúgio contra a violência doméstica.
O estudo, coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental, demonstra que as atividades extrativistas vão além da geração de renda, redefinindo o papel social dessas mulheres e oferecendo protagonismo político em uma área de intensa pressão imobiliária e crescente turismo. O Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB) oferece acolhimento e oportunidades de liderança.

De acordo com a pesquisadora Dalva Mota, o MMIB promove a autonomia pessoal e política das extrativistas. Muitas mulheres relatam que a participação no movimento foi crucial para romper ciclos de submissão e escapar de crises conjugais. A organização é liderada exclusivamente por mulheres, garantindo que as decisões permaneçam em suas mãos.
A parceria com uma empresa de cosméticos, iniciada em 2002, inseriu as extrativistas em uma “bioeconomia inclusiva”. O tucumã, em particular, se destaca pela sua resiliência às mudanças climáticas, sendo uma alternativa econômica viável em comparação com o açaí. A atividade ajuda a preservar a paisagem da ilha, ameaçada pelo desmatamento e pela especulação imobiliária. Para as mulheres de Cotijuba, o extrativismo é uma forma de “segurar a terra” e garantir a continuidade de seus saberes e vidas.

As autoras Ana Felicien e Dalva Mota destacam que a experiência do MMIB prova que a bioeconomia na Amazônia vai além das transações comerciais, envolvendo relações sociais complexas e a manutenção da floresta em pé.
Com informações do Portal Amazônia.










