Fim de um pacto de 20 anos: exportadoras de soja deixam de cumprir a Moratória da Soja, que protegia a Amazônia do desmatamento
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) comunicou nesta segunda-feira (5) que as exportadoras estão deixando o acordo da Moratória da Soja.
O que é a Moratória da Soja? É um pacto entre as empresas compradoras da oleaginosa, que está em vigor há quase 20 anos e proíbe a aquisição do grão cultivado de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, visando preservar a floresta.
A agência Reuters já havia reportado, no fim de dezembro, que algumas das maiores traders (empresas de comercialização) de soja do mundo estavam se preparando para romper o acordo, numa tentativa de preservar benefícios fiscais no Mato Grosso. A decisão surge em um momento crucial para o agronegócio brasileiro e a política ambiental.
Isso porque, a partir deste ano, o estado passará a retirar incentivos fiscais de empresas que participam do programa de conservação. A medida, defendida pelo governo estadual, visa equilibrar a proteção ambiental com o desenvolvimento econômico. A alegação é que a Moratória da Soja impõe custos adicionais às empresas que operam no Mato Grosso.
O Mato Grosso produziu cerca de 51 milhões de toneladas métricas de soja em 2023 (a previsão para 2025 é similar), superando a produção da Argentina. O estado é um dos principais polos de produção de soja do Brasil e do mundo, e a decisão das exportadoras pode ter um impacto significativo na dinâmica do mercado.
A saída das empresas da Moratória da Soja levanta preocupações sobre o aumento do desmatamento na Amazônia. Organizações ambientais criticam a medida, argumentando que ela enfraquece os mecanismos de proteção da floresta. O futuro da Moratória da Soja e seus impactos na Amazônia permanecem incertos.
A Abiove ainda não detalhou quais empresas estão deixando o acordo, mas a expectativa é que outras sigam o mesmo caminho. O governo federal ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Com informações do G1











