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17 de fevereiro de 2026

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Exploração ilegal de madeira em MT cresce em áreas protegidas

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Um estudo recente da Rede Simex revelou que quase metade (46%) da exploração ilegal de madeira em Mato Grosso em 2024 ocorreu em Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs). Foram 22,4 mil hectares explorados ilegalmente nessas áreas, representando um aumento alarmante de 85% em comparação ao período anterior.

No total, 190 mil hectares de floresta nativa foram explorados para fins madeireiros no estado, entre agosto de 2023 e julho de 2024. A maior parte (74%, ou 141 mil hectares) foi explorada legalmente, mas 26% (49 mil hectares) não possuíam autorização, um aumento de 2% em relação ao ano passado.

exploração ilegal de madeira
Ao todo, foram 190 mil hectares de florestas nativas exploradas para fins madeireiros no estado durante o período analisado. Foto: Imazon

Apesar de historicamente os imóveis rurais privados serem os principais responsáveis pela exploração ilegal, em 2024 a ilegalidade nesse tipo de propriedade atingiu o menor nível já registrado pelo Simex Mato Grosso, desde 2013. Contudo, a exploração ilegal em TIs e UCs cresceu significativamente, com 17,8 mil e 4,6 mil hectares explorados, respectivamente, afetando especialmente as TIs Aripuanã e Parque do Xingu, e as UCs Reserva Extrativista Guariba/Roosevelt e o Parque Estadual Tucumã, em Colniza.

Vinicius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, alerta que esse aumento da ilegalidade em áreas protegidas demonstra uma falta de comando e controle efetivo, representando uma ameaça aos compromissos ambientais e sociais do estado. “Essa exploração ilegal acarreta degradação do habitat, perda de biodiversidade e aumenta o risco de incêndios. As ocorrências em terras indígenas violam direitos constitucionais e ameaçam a sobrevivência cultural e física dos povos”, afirma.

Extração legal de madeira cresce, mas atividade ilegal ainda é responsável por quase metade do total da atividade — Foto: Divulgação/Imazon
Os imóveis rurais privados costumavam ser responsáveis por mais da metade da exploração ilegal. Foto: Divulgação/Imazon

Silgueiro ressalta que a ilegalidade enfraquece o sistema de controle ambiental e prejudica a economia legal, gerando concorrência desleal. Ele defende o fortalecimento da fiscalização, aprimoramento da rastreabilidade e transparência, além de incentivos à legalidade e ao manejo florestal sustentável. “A fiscalização precisa ser mais focada, ágil e punitiva para desmantelar as cadeias de ilegalidade. É preciso garantir eficácia total do recém-implantado Sisflora 2.0 na prática, verificando a acurácia dos dados de georreferenciamento e rendimento volumétrico, evitando que se torne apenas uma ferramenta burocrática. A legalidade precisa ser mais viável economicamente do que a ilegalidade”.

A Rede Simex é formada pelo Instituto Centro de Vida (ICV), Imazon e Imaflora, e identifica e mapeia as áreas de exploração madeireira, cruzando com as informações sobre autorizações de exploração emitidas pelos órgãos ambientais. Em Mato Grosso, o mapeamento e a validação foram realizados em cooperação com a Coordenadoria de Geoprocessamento e Monitoramento ambiental (CGMA) da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema/MT).

Com informações do Portal Amazônia.

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