Pesquisadores encontraram um fóssil de Stupendemys geographicus, a maior espécie de tartaruga de água doce do mundo, às margens do rio Acre. A descoberta, feita em Assis Brasil, perto da fronteira com Peru e Bolívia, é resultado de uma expedição científica financiada pela Iniciativa Amazônia+10.
O paleontólogo Francisco Ricardo Negri, da Universidade Federal do Acre (Ufac), fez a descoberta ao vasculhar uma área próxima ao rio. Segundo a paleontóloga Annie Schmaltz Hsiou, da Universidade de São Paulo (USP), que liderava a expedição, o achado é o fóssil mais completo de uma tartaruga gigante encontrado no Brasil.
A Stupendemys geographicus viveu entre 10,8 milhões e 8,5 milhões de anos atrás, durante o período Mioceno. O casco preservado tem mais de 1 metro de comprimento, e a estimativa é que o animal completo chegasse a 2 metros, tamanho comparável ao maior exemplar já registrado na Venezuela.
A Iniciativa Amazônia+10, que apoia o projeto, reúne pesquisadores de diversas instituições e agências de fomento de todo o Brasil e de outros países. O objetivo é impulsionar a pesquisa científica na região amazônica, com foco na diversidade social e biológica.
Ao todo, 22 projetos de expedições científicas foram selecionados, envolvendo 733 pesquisadores de 87 instituições. As expedições buscam explorar áreas pouco conhecidas da Amazônia, coletando dados sobre a fauna, a flora e a cultura local.
Além da descoberta do fóssil no Acre, outras expedições já estão em andamento. Uma delas, na região do rio Curicuriari, no Amazonas, coletou mais de mil amostras de fungos, plantas e outros organismos. Outra pesquisa busca resgatar costumes culinários e combater a insegurança alimentar em comunidades indígenas no Mato Grosso.
Um dos desafios das expedições é o acesso a áreas remotas e a logística complexa. A Iniciativa Amazônia+10 busca garantir recursos para infraestrutura, equipamentos e a participação de comunidades locais nas pesquisas.
Os projetos também visam suprir lacunas no conhecimento sobre a biodiversidade da Amazônia, especialmente em relação a grupos de organismos pouco estudados, como insetos e fungos. A valorização do conhecimento tradicional das populações indígenas e quilombolas também é um objetivo importante.
A expectativa é que as expedições científicas contribuam para a conservação da Amazônia e para o desenvolvimento sustentável da região.










