Combates em Aleppo deixam dezenas de mortos e milhares de deslocados, com curdos resistindo à ordem de evacuação
Combatentes curdos entrincheirados em dois bairros de Aleppo se recusaram, nesta sexta-feira (9), a deixar a cidade, desafiando as autoridades que haviam feito um apelo à evacuação após decretar um cessar-fogo.
A violência, que deixou ao menos 21 mortos desde terça-feira, é a mais grave já registrada em Aleppo entre o governo central e os curdos, importante minoria étnica que controla parte do nordeste do país. Dezenas de milhares de civis foram forçados a fugir, com a ONU estimando que pelo menos 30 mil famílias foram deslocadas.
Um cessar-fogo anunciado no início da sexta-feira estava em vigor no meio da manhã, segundo correspondentes da AFP na entrada do bairro curdo de Ashrafieh, cercado pelo Exército sírio. Integrantes das forças de segurança foram vistos entrando no bairro com veículos para a evacuação dos combatentes, juntamente com um pequeno número de civis.
As autoridades anunciaram que os combatentes curdos seriam evacuados com suas armas leves para a zona autônoma curda do nordeste do país, “garantindo-lhes passagem segura”. No entanto, eles se recusaram a deixar Ashrafieh e Sheikh Maqsud, onde permanecem entrincheirados. “Decidimos permanecer em nossos bairros e defendê-los”, declararam os comitês locais, afirmando rejeitar qualquer “rendição”.
Os Estados Unidos expressaram “profunda gratidão a todas as partes pela contenção e pela boa vontade que tornaram possível essa trégua vital”, afirmou o enviado americano para a Síria, Tom Barrack, na rede social X. A violência intensifica a rivalidade na Síria entre Israel e Turquia, que disputam influência desde a queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024. Ankara, aliada das autoridades sírias, afirmou estar disposta a “apoiar” o Exército em sua “operação antiterrorista” contra os combatentes curdos. Israel condenou os “ataques” do poder sírio contra a minoria curda.
O chefe das Forças Democráticas Sírias (FDS), Mazlum Abdi, avaliou que “as tentativas de atacar bairros curdos, em plena fase de negociação, minam as possibilidades de se chegar a um acordo”. O dirigente sírio Ahmad al-Chareh conversou com seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, ressaltando estar determinado a “pôr fim à presença armada ilegal” na cidade. Ele também conversou com o presidente francês Emmanuel Macron, a quem assegurou que o poder considera os curdos “parte integrante do tecido nacional e um parceiro essencial na construção do futuro da Síria”.
Al-Chareh recebeu ainda nesta sexta-feira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a dirigente de mais alto escalão da UE a visitar a Síria desde a queda de Bashar al-Assad no fim de 2024. A União Europeia havia instado as partes em conflito em Aleppo a demonstrar “moderação e proteger os civis”.
Com informações do G1










