Exército sírio intensifica ofensiva no norte, retomando áreas controladas por curdos e gerando preocupação internacional
O Exército sírio assumiu o controle de áreas no norte da Síria que estavam sob controle curdo, incluindo o aeroporto militar de Tabqa, cidade-chave na província de Raqqa, neste sábado (17). A ação ocorre após um acordo de integração entre as Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas por curdos, e Damasco, que enfrenta obstáculos em sua implementação.
Segundo informações da agência oficial Sana, o Exército começou a entrar em Tabqa e a “cercar” as forças curdas entrincheiradas no aeroporto. O governo sírio busca consolidar sua autoridade em todo o país após a destituição do presidente Bashar al-Assad, no fim de 2024. Em um gesto de aparente boa vontade, o presidente Ahmed al-Sharaa decretou que o curdo seja reconhecido como “idioma nacional”.
Na semana passada, o Exército já havia expulsado as forças curdas de dois bairros de Aleppo e assumido o controle de uma área a leste da cidade. Testemunhas relatam que combatentes das FDS estão se retirando e moradores retornando, sob forte presença militar. Autoridades curdas impuseram um toque de recolher em Raqqa após o Exército declarar uma “zona militar fechada” a sudoeste do rio Eufrates e ameaçar com ataques.
As FDS acusaram o governo de trair o acordo de retirada e denunciaram combates em andamento no norte do país. “Confrontos intensos continuam entre nossas forças e as facções de Damasco que violaram os acordos recentes e traíram nossas forças enquanto se retiravam”, afirmaram, relatando bombardeios de artilharia e disparos de foguetes em áreas sob controle curdo. O Ministério da Defesa sírio confirmou a retomada do controle do campo de petróleo de Safyan e de Al-Tharwa, também na província de Raqqa.
A situação gerou preocupação internacional. Os Estados Unidos, que apoiam tanto os curdos quanto as novas autoridades sírias, pediram ao governo sírio que interrompa “qualquer ação ofensiva nas áreas entre Aleppo e Tabqa”, através do Comando Central no X. O presidente francês Emmanuel Macron e o líder do Curdistão iraquiano, Nechirvan Barzani, solicitaram “uma desescalada imediata e um cessar-fogo permanente” na Síria.
Raqqa, que já foi a “capital” do grupo Estado Islâmico, foi libertada pelas FDS com apoio de uma coalizão liderada pelos Estados Unidos. A retomada da cidade pelas forças sírias representa um novo capítulo no conflito complexo que assola o país.
Com informações do G1










