Exército da Síria e milícias curdas travam intensos confrontos em Aleppo, com relatos de mortes e dezenas de milhares de deslocados
O Exército da Síria anunciou neste sábado (10) ter retomado o controle do último bairro de Aleppo controlado por combatentes curdos, Sheikh Maksoud. Os milicianos, no entanto, negam a informação e afirmam que os confrontos continuam na região.
Correspondentes da AFP no local relataram ter ouvido tiros durante a manhã e observado um grande número de forças governamentais entrando na área. Desde o início dos confrontos na terça-feira (6), pelo menos 21 civis morreram, segundo fontes dos dois lados, e dezenas de milhares de pessoas foram forçadas a deixar a cidade.
Os curdos controlam grande parte do nordeste da Síria, a leste de Aleppo, desde os anos da guerra civil, possuindo sua própria administração e forças armadas, as Forças Democráticas da Síria (FDS). Em março, o governo instalado em Damasco, após a queda de Bashar al-Assad no final de 2024, assinou um acordo com os curdos para integrá-los às novas instituições estatais, mas o pacto permanece paralisado.
Ambos os lados se acusam mutuamente de terem iniciado a escalada de violência em Aleppo, a segunda maior cidade da Síria. “Anunciamos o fim de uma operação de segurança abrangente no bairro de Sheikh Maksoud, em Aleppo”, declarou o Exército em comunicado divulgado pela agência Sana, instando os moradores a permanecerem em suas casas. As forças curdas refutaram a versão, classificando-a como “infundada” e afirmando que pretendem “continuar resistindo” após o ataque do exército com tanques e “bombardeios de artilharia brutais”.
O Ministério da Defesa sírio, citado pela Sana, alertou que “a única opção para os elementos armados na área de Sheikh Maksoud, em Aleppo, é se render imediatamente, com as armas em punho, no posto de controle militar mais próximo, em troca de garantias para suas vidas e segurança pessoal”. O Exército sírio também anunciou a captura de Ashrafieh, outro bairro controlado pelos curdos em Aleppo.
Na sexta-feira, o governo pediu aos combatentes curdos que deixassem a cidade, prometendo levá-los em segurança para áreas sob controle da autoridade autônoma curda mais a leste. Os milicianos se recusaram a se render, e as forças governamentais retomaram os ataques naquela noite. Apesar dos confrontos, os curdos afirmam estar dispostos a continuar as negociações com Damasco para a integração de suas instituições ao governo central. “Com esses ataques, o governo está tentando encerrar os acordos. Mas continuamos comprometidos com eles e estamos trabalhando arduamente para implementá-los”, disse Elham Ahmed, chefe de relações exteriores da administração local curda, à AFP.
Com informações do G1










