Em meio a tensões, países europeus aumentam a presença militar no Ártico após ameaças de tarifas de Trump à Dinamarca e à Groenlândia
O governo da Groenlândia expressou gratidão neste domingo (18) às nações europeias pelo apoio contínuo à ilha ártica, em um momento em que o território enfrenta a ameaça de tarifas punitivas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A disputa surge da intenção de Trump de anexar a Groenlândia, que atualmente é governada pela Dinamarca.
França, Alemanha, Reino Unido e outros países europeus enviaram pequenos contingentes militares à Groenlândia a pedido da Dinamarca. Em resposta, Trump ameaçou impor tarifas comerciais a oito aliados europeus, a menos que os EUA sejam autorizados a adquirir a ilha. Líderes europeus alertaram para uma “perigosa espiral descendente” devido à ameaça de tarifas, reafirmando seu compromisso com a Groenlândia e a soberania da Dinamarca.
Embaixadores dos 27 países da União Europeia se reunirão para discutir uma resposta coordenada à ameaça de tarifas. “Vivemos tempos extraordinários que exigem não apenas decência, mas também muita coragem”, declarou a ministra da Groenlândia, Naaja Nathanielsen, responsável pelos setores de negócios, energia e minerais.
Trump justifica seu interesse na Groenlândia com base em sua importância estratégica e nos depósitos minerais presentes no território, sem descartar o uso da força para concretizar a anexação. Essa postura tem gerado preocupação na Europa, com o temor de um confronto direto entre países da Otan. Christian Keldsen, presidente da Associação Empresarial da Groenlândia, acredita que o impacto das tarifas americanas na ilha será limitado, mas ressalta que o objetivo principal parece ser pressionar os aliados europeus da Otan. “O objetivo, portanto, não parece ser a Groenlândia, mas sim pressionar nossos aliados europeus da OTAN”, escreveu Keldsen no LinkedIn, agradecendo aos governos pelo apoio.
Manifestações em Dinamarca e na Groenlândia reuniram milhares de pessoas que pediram que Trump respeite o direito da ilha ártica de determinar seu próprio futuro. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca anunciou que visitará Oslo, Londres e Estocolmo para discutir o fortalecimento da coordenação, presença e dissuasão da Otan no Ártico. “O que nossos países têm em comum é que todos concordamos que o papel da OTAN no Ártico deve ser fortalecido, e estou ansioso para discutir como isso será feito”, afirmou Lars Lökke Rasmussen.
Países nórdicos também se manifestaram em apoio à Dinamarca. O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, afirmou: “Não nos deixaremos chantagear”. O presidente finlandês, Alexander Stubb, alertou que tarifas prejudicariam a relação transatlântica e poderiam levar a uma escalada perigosa, defendendo o diálogo como solução. Já o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Stoere, reiterou que a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca.
Com informações do G1










