Após anos de sanções, EUA e Venezuela abrem diálogo para a retomada da exportação de petróleo, visando aumentar a oferta global
Autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos estão em conversas para retomar a exportação de petróleo bruto venezuelano para os americanos. A informação foi divulgada pela agência Reuters, com base em relatos de cinco fontes dos governos, da indústria e do setor de transporte marítimo.
Refinarias americanas na Costa do Golfo possuem capacidade para processar o petróleo venezuelano e já o importaram no passado, antes da imposição de sanções pelos EUA ao país. A retomada das exportações poderia aliviar a pressão sobre os preços globais do petróleo.
No sábado (3), após a prisão de líderes opositores na Venezuela, o presidente Donald Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero do país à atuação de grandes empresas americanas. “Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país”, declarou Trump.
A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo comprovadas do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, superando Arábia Saudita (267 bilhões) e Irã (209 bilhões), de acordo com a Energy Information Administration (EIA). No entanto, a produção atual é baixa, em torno de 1 milhão de barris por dia.
Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management, alerta que aumentar a produção não será rápido. “Exige investimentos elevados e pode levar anos”, explica. A maior parte do petróleo venezuelano é do tipo extrapesado, demandando tecnologia avançada e recursos significativos para extração.
A produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para 665 mil em 2021, conforme dados da Statistical Review of World Energy. Em 2023, a produção se recuperou para cerca de 1 milhão de barris diários, representando menos de 1% da produção global. A infraestrutura precária e as sanções internacionais são os principais obstáculos ao pleno aproveitamento do potencial petrolífero do país.
*Essa reportagem está em atualização
Com informações do G1










