Decisão dos EUA de abandonar fundo global de prevenção ao extremismo é vista como erro em momento de alta nos riscos de ataques
Os Estados Unidos retiraram seu apoio ao Fundo Global para Engajamento Comunitário e Resiliência (GCERF), uma organização dedicada à prevenção do extremismo violento. A decisão foi criticada pela entidade, que a considera um erro em um momento de crescente risco de ataques de grupos militantes no Oriente Médio e na região do Sahel, na África.
O GCERF, que financia programas de prevenção em dezenas de países, foi incluído em um memorando da Casa Branca que anunciava a saída dos EUA de 35 agências internacionais e 31 entidades da ONU, consideradas contrárias aos interesses americanos. A saída ocorreu na quarta-feira (7).
O diretor do GCERF, Dr. Khalid Koser, expressou surpresa com a decisão, afirmando que ela foi “inesperada, sem explicações” e reflete uma mudança ideológica no governo de Donald Trump, que prioriza medidas de contraterrorismo com foco na segurança em detrimento da prevenção. “Acho que é um erro retirar esse componente fundamental da prevenção. Mas não acredito que esta administração acredite em prevenção”, disse Koser à Reuters.
Koser alertou que os riscos de violência extremista estão mais altos do que em qualquer momento desde as revoltas da Primavera Árabe, em 2011. Ele citou o Afeganistão, o Sahel e os campos no nordeste da Síria, que abrigam familiares de membros do Estado Islâmico, como áreas de preocupação. “Se você não trabalha na prevenção, então, em 10 anos, terá muitos terroristas e muitos problemas”, afirmou.
A Casa Branca não se manifestou sobre o assunto. A saída dos EUA do GCERF e do Fórum Global de Contraterrorismo reforça a política “America First” do governo Trump. Os Estados Unidos ajudaram a criar um programa do GCERF na Síria para a reintegração de famílias ligadas ao Estado Islâmico, mas a perda do apoio americano é vista como um revés.
Com outras agências internacionais reduzindo suas atividades devido a cortes na ajuda externa dos EUA, o GCERF se vê sobrecarregado. O orçamento anual de US$ 50 milhões não foi aumentado para compensar as lacunas. O Índice Global de Terrorismo de 2025 indicou um aumento no número de países que registraram ataques terroristas, revertendo quase uma década de avanços.
Com informações do G1










