Um estudo de 24 anos coordenado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) demonstra que a floresta amazônica possui resiliência para se adaptar à seca, mas essa adaptação virá acompanhada de mudanças significativas em sua estrutura e funcionamento.
A pesquisa Esecaflor, realizada em cooperação com o Museu Goeldi e outras instituições, mostra que, embora a floresta não entre em colapso com a diminuição das chuvas, ela sofrerá uma reconfiguração, com árvores menores e impactos nos ciclos hidrológico e de carbono. “A floresta é resiliente diante das mudanças climáticas!”, comemora Antonio Carlos Lôla da Costa, pesquisador do projeto.
O experimento envolveu a exclusão de 50% da chuva em uma área da Floresta Nacional de Caxiuanã, permitindo aos cientistas monitorar as respostas da floresta à seca. Inicialmente, houve alta mortalidade de árvores maiores, mas com o tempo, as espécies menores demonstraram capacidade de adaptação e crescimento.

Os resultados indicam que, em um cenário de secas mais frequentes, a floresta amazônica se tornará mais baixa, com consequências para a formação dos ‘rios voadores’ e para o equilíbrio climático global. “Se persistirem as mudanças climáticas, com redução de chuvas, o porte da floresta vai sofrer redução”, alerta Lôla.
Apesar da resiliência observada, os pesquisadores enfatizam que a capacidade de adaptação da floresta depende do tipo de impacto sofrido e que nem todas as espécies sobrevivem. O estudo também destaca a necessidade de políticas de manejo sustentável para garantir a preservação da floresta.
O projeto Esecaflor, que completou uma nova etapa em novembro de 2024 com a retomada da precipitação normal na área experimental, gerou mais de 100 artigos científicos e formou dezenas de pesquisadores. A equipe ressalta a importância de aproximar a ciência da sociedade para promover a conscientização e a ação em defesa da floresta amazônica.

Com informações do Portal Amazônia.








